Pastoral da Mulher participa do Fórum de Saúde Mental de Juazeiro/BA

Dando continuidade ao processo do ano anterior, a Pastoral da Mulher de Juazeiro continua participando do Fórum Permanente de Saúde Mental de Juazeiro/BA junto a outras instituições do munícipio como: Núcleo de Apoio a Saúde da Família, Secretaria de Educação, Unidades de Saúde da Família, Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, Universidade do Vale do São Francisco e outras instituições.
 
O objetivo do Fórum Permanente de Saúde Mental é continuar criando espaços para articulação, discussão, construção e fortalecimento da rede de serviços do município através do estudo de casos em conjunto, com ênfase no cuidado a pessoas que usam álcool e outras drogas.
 
Desta forma, no último dia 20 de Janeiro de 2015, a Pastoral da Mulher participou do 24º encontro do Fórum, onde contou com a presença de Melissa Azevedo -  Interlocutora do Projeto Redes da Secretaria Nacional sobre Drogas - SENAD, e Williams Acioli - Articulador do Projeto Redes em Petrolina/PE e Juazeiro/BA.
 
A proposta dessa aproximação se deu através do Programa “Crack, é possível vencer”, no intuito de fortalecer as ações da rede intersetorial de atenção a usuários de substâncias psicoativas do nosso município, priorizando o compartilhamento de responsabilidades frente ao uso de drogas.
 
A Pastoral está representada no Fórum pela Educadora Social Railane Delmondes.
       
Fonte: Pastoral da Mulher de Juazeiro

Pastoral da Mulher de Juazeiro dá continuidade aos trabalhos nas Comunidades da Itaberaba e Antônio Conselheiro

 
 
No dia 20 de janeiro de 2015, aconteceu o primeiro encontro com as mulheres multiplicadoras, que representam as comunidades dos bairros Itaberaba e Antônio Conselheiro, com a participação das agentes: Ana Paula e Ellen Sabrina e das multiplicadoras: Ângela e Roseli, na sede da Pastoral.
Iniciando o momento, acolhendo as lideranças com a reflexão do texto “Liderar pelo Exemplo”, percebeu-se que não é possível crescer sem desafios e obstáculos, a vida é feita de exemplos, sendo que as atitudes e comportamentos são observados, proporcionando o melhor ensino, ou seja, as pessoas aprendem mais pelo que veem, do que ouvem.
 
Em seguida, avaliando o processo grupal em 2014, percebeu-se que tem sido muito positivo, e que mesmo com alguns desafios, foi identificado que os grupos estão se fortalecendo. As mulheres estão mais autônomas e com mais informações, estão se permitindo a trabalhar as questões subjetivas e buscando alternativas de renda; porém ainda precisa avançar no compromisso individual de cada participante.
 
Para 2015, o plano de ação foi apresentado, com as seguintes atividades: reuniões, encontros nas comunidades, visitas domiciliares, intercâmbio, oficinas, contatos com as lideranças e instâncias governamentais, como também mobilizações para a garantia de direitos.
 
Por fim o cronograma anual e temáticas dos encontros mensais foram definidos, e serão abordados os seguintes temas: Mulher x Direitos Sociais, Participação da Mulher na vida política, Saúde e Sexualidade, Drogas, Gênero: Divisão Sexual do Trabalho, A importância da Família para a formação da cidadania e Violência contra a Mulher, como também acontecerá a avaliação anual, encerrando assim as atividades.
 
Essas ações fazem parte do Projeto de Mobilização Comunitária, impulsionado pela Pastoral da Mulher e que tem como objetivo, promover a articulação das instâncias e espaços de participação democrática e envolver as comunidades na defesa e garantia de direitos das mulheres.
 
         Fonte: Pastoral da Mulher de Juazeiro

Miss coisa nenhuma


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No último domingo (25), aconteceu a escolha da mais nova Miss Universo: uma mulher, representante de um país, que foi coroada e declarada como a mais bonita que existe no planeta. Para receber o título, a moça desfilou com trajes variados, inclusive um biquini, e competiu contra dezenas de outras mulheres.
 
Por Jarid Arraes no Questão de Gênero 
 
No meio de tantas moças, pouquíssimas eram negras ou não brancas. Todas eram magras. Os sorrisos, os cabelos, a forma de andar e o jeito de falar;  tudo milimetricamente planejado e ensaiado, coordenado para atender a um rígido padrão do que o mundo enxerga como a feminilidade adequada. Um verdadeiro festival para celebrar a plastificação da mulher e a sua redução aos seus atributos físicos.
 
Mesmo que isso seja evidente para muita gente, de vez em quando os muitos problemas dos concursos de beleza são considerados até positivos. Como quando uma garota gorda concorre ao título de musa, ou quando são criados concursos voltados para grupos de mulheres excluídos dos grandes eventos como o Miss Universo. Inventam um concurso diferente para cada categoria de mulher fora do padrão e aparentemente todo mundo se contenta com isso.
 
É preciso olhar os concursos de beleza com olhos criteriosos, pois o próprio princípio da disputa já é um absurdo; afinal, como assim mulheres competem umas com as outras para que sejam avaliadas e uma delas escolhida como a mais bela entre todas? Não tem algo de muito errado aí? Aliás, quais são os critérios para que uma mulher possa participar daquele concurso? Porque se alguém será escolhida como mais bela, isso significa que os jurados escolherão características mais bonitas e outras mais feias. Algo arbitrário, efêmero, cultural e frágil. Assim como o próprio conceito de beleza.
 
Como então esperar que mulheres se empoderem genuinamente a partir de valores como esse? E que tipo de empoderamento é esse que condiciona a valoração social de uma mulher a sua aparência física? Mesmo em concursos criados para mulheres que não se encaixam nos padrões, como o do corpo magro, ainda existem padrões sendo reproduzidos e ainda prevalece a estética como condição para que aquelas mulheres sejam aplaudidas e ganhem importância. Essa é uma armadilha ardilosa, pois explora a autoestima fragilizada, mas não oferece uma solução real para o problema – que é a noção de que mulheres precisam ser bonitas.
 
Nenhuma mulher precisa ser bonita. A beleza não é uma qualidade fundamental para que mulheres sejam seres humanos plenos, capazes e importantes. Em uma sociedade que gira em torno da aparência e move bilhões em dinheiro para que essa aparência seja apresentada de forma impecável, a afirmação de que mulheres não precisam ser bonitas é uma enorme transgressão. Essa afirmação é o tipo de atitude que coloca um ponto final em uma relação misógina e tira dos outros o poder sobre a vida feminina.
 
A beleza é algo que a mulher pode ou não desejar; e pode ser algo que as pessoas com quem essa mulher se relaciona pensam ou não pensam a seu respeito. Mas o empoderamento verdadeiro coloca nas mãos da mulher o poder de definir como se enxerga e estabelecer o seu valor pelo ser humano completo que é, não pelo formato do seu corpo, seus traços faciais, a cor de sua pele ou a presença de algum tipo de deficiência. Deveria ser possível viver plenamente sem que a ideia da beleza se torne um fantasma que assombra ou uma miragem que é constantemente perseguida.
 
Talvez, no fim das contas, pelo menos uma reflexão deva conquistar espaço em nossas mentes: por que ser considerada feia, “baranga”, “dragão” e coisa similar ainda é um dos maiores insultos que uma mulher pode receber? E por que, seja considerada bonita ou feia, a capacidade intelectual da mulher está sempre condicionada a sua aparência física? Precisamos questionar os valores que reduzem a mulher à obrigação de buscar a beleza, incluindo a forma como são reforçados e reproduzidos por meio de concursos.
 
Que as interrogações sejam, então, o começo da libertação.
 
29/1/2015 -  Geledés Instituto da Mulher Negra

Fonte: http://www.geledes.org.br/miss-coisa-nenhuma/#axzz3QDYEF4nR 

21 DE JANEIRO - DIA NACIONAL DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

 
A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a diferentes crenças e religiões. Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição. Sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana, a perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada pela ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentam à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças.
Atualmente esse tem sido um tema bastante discutido. Há, decerto, uma razão para esse apreço do conceito, que reside em ser o tempo atual um período de “extremos”, qualificação que se justifica pelos seus paradoxos: paz e violência, tecnologia e miséria, desenvolvimento e injustiça social etc. Por um lado aguça-se entre religiões e culturas a sensibilidade pela dignidade humana.
O discurso sobre a inviolabilidade dos direitos humanos fundamentais pauta-se como imperativo para todos os povos. Por outro lado, a dignidade humana jamais esteve tão ameaçada, seja pelo armamento nuclear, pela fome, pelos conflitos políticos, religiosos, étnicos ou seja por razões múltiplas. A realidade confirma, portanto, a atualidade da reflexão sobre a tolerância. Nesse debate uma questão crucial que se aborda é saber qual o limite da tolerância? Ou dito de outra maneira, é possível ser tolerante com o intolerável?
O limite da tolerância torna-se cada vez mais evidente. Tolerância não significa tolerar o intolerável, o que seria a própria negação da tolerância, sendo que esta consiste na aceitação mínima do diferente como tradução da coexistência pacífica.
O exercício da tolerância exige o difícil equilíbrio entre razão e emoção. Tarefa que se torna ainda mais desafiadora quando se está diante do impacto provocado pelo intolerável, mas é exatamente nesse momento que a busca do consenso racional pode contribuir, o caminho que se vislumbra é o do diálogo incessante, do acordo justo e transparente e parece não haver outro meio sensato.
Leonardo Boff afirma em seu livro Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade ser necessário dialogar até a exaustão, “negociar até o limite intransponível da razoabilidade”, na esperança de que o fundamentalismo venha a reconhecer o outro e o seu direito de existência. Talvez essa estratégia possibilite romper as bases de sustentação de qualquer fundamentalismo, instaurando uma comunidade de povos.
As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal. A religião e a crença de um ser humano não devem constituir barreiras a fraternais e melhores relações humanas. Todos devem ser respeitados e tratados de maneira igual perante a lei, independente da orientação religiosa.
Foi pensando no direito fundamental de liberdade religiosa que a Pastoral da Mulher, Unidade oblata em Juazeiro, irá expor fotos retratando as diferentes religiões, onde as modelos fotografadas são as próprias trabalhadoras sociais da Unidade. Demonstrando o respeito pela fé do semelhando e retratando a vivência da equipe, onde a mesma é composta de pessoas adeptas ou simpatizantes de vários segmentos religiosos. Assim como essa realidade se amplia ao público atendido, e a importância de identificação de atos de fé e espiritualidade que as mulheres demonstram no dia a dia.
A exposição acontece na sede da Pastoral e ficará disponível até o final do mês de janeiro.
 

Prostituição nas praias mais famosas de Pernambuco

 

 
Um dos principais destinos turísticos do país, o estado de Pernambuco tem lugares paradisíacos como o balneário de Porto de Galinhas. A violência nestes locais, entretanto, não difere das periferias da capital pernambucana.

 O boom do turismo na região, a partir da década de 1990, veio acompanhado por problemas de infraestrutura básica, como a falta de água, de esgotamento sanitário e até energia elétrica em bairros pobres. Proliferaram também o tráfico de drogas, roubos, prostituição e até casos de homicídio, como o do empresário e surfista Jéferson dos Santos, 41 anos, morto com um tiro na cabeça por viciados em drogas, em dezembro de 2013.
 
— Todo o problema daqui está relacionado com as drogas. Nós temos uma pousada e uma área para camping. Os ladrões queriam roubar o material das barracas. Meu marido viu a movimentação deles, foi rendido e morto porque os ladrões se assustaram com a aproximação de um carro — contou a esposa M.F.C, que preferiu não se identificar.

A proliferação de drogas como o crack também é apontada pelo instrutor de surf Atamai Batista como a causa dos crimes violentos nas praias de Porto de Galinhas e Maracaípe. Ele era amigo do surfista Ricardo dos Santos, morto em Santa Catarina na última semana.
— Nós treinávamos juntos. Foi mais um crime absurdo. Toda comunidade do surf mundial está em choque porque ele não tinha envolvimento com nada errado.
 
Os problemas com a segurança ameaçam também os negócios na antiga vila de pescadores, que por dez anos consecutivos foi considerada a praia mais bonita do Brasil. O temor pelo fim da “galinha dos ovos de ouro” é compartilhado por comerciantes, taxistas, jangadeiros e hoteleiros, lembrando o exemplo de Itamaracá, que também já foi um destino turístico badalado até os anos de 1980, mas perdeu todo potencial por conta da violência descontrolada.
 
— É difícil encontrar policiamento por aqui. Moradores e comerciantes chegaram a construir um prédio que deveria abrigar uma unidade de segurança, mas a polícia não se interessou em ocupar o local, que terminou se deteriorando por falta de uso — reclama Nilma Batista, proprietária de um albergue na vizinha praia de Maracaípe.
 
Assim como Porto de Galinhas, a ilha de Itamaracá, a 48 quilômetros do Recife, também já teve seus dias de glória. Foi imortalizada por inúmeras músicas de artistas como Reginaldo Rossi, Tim Maia e pela cirandeira Lia de Itamaracá. Mas o encantamento perdeu-se gradualmente a partir da instalação de dois presídios.
 
Com a decadência da atividade turística, a partir dos anos 1980, os hotéis fecharam e os veranistas de classe média alta abandonaram o destino com medo da proximidade com a Penitenciária de Segurança Máxima Professor Barreto Campelo - que passou por mais uma rebelião semana passada - e a Penitenciária Agro-Industrial São João.
 
Na PAI, em tese, a maioria dos detentos trabalha no cultivo de mandioca, frutas e hortaliças na área externa da unidade prisional durante o dia e retorna ao presídio à noite. Mas na prática o que acontece é outra coisa.
 
— A gente costuma dizer que a PAI é uma "MÃE" porque os presos são liberados para passar o dia trabalhando na roça, mas muitos aproveitam a liberdade para assaltar nos municípios vizinhos e voltar tranquilamente para o presídio no horário da noite — revelou um policial militar que prefere não se identificar.
 
A outra ilha pernambucana, Fernando de Noronha, está mais protegida da violência comum. Lá o que tem chamado a atenção das autoridades é o alcoolismo e a violência contra a mulher. No ano passado o Ministério Público identificou cerca de 70 casos de agressões a pessoas do sexo feminino, a maioria delas praticadas pelos companheiros.
 
Em maio de 2014 a coordenadoria de saúde pública do arquipélago lançou uma campanha contra o alcoolismo, já que o consumo de bebidas alcoólicas está diretamente relacionado com os casos de violência contra a mulher.
 
A Polícia Militar de Pernambuco informou que em Porto de Galinhas uma dupla de policiais se utiliza de veículos segway para fazer o patrulhamento da área, além de uma guarnição tática, um trio de motocicletas e apoio do Grupo de Apoio Tático (Gati).
 
Em Itamaracá, durante o dia, o policiamento é realizado com rondas de três viaturas, com apoio do Gati. À noite, um trio em motocicletas e uma viatura do Gati cobrem a área.
Em Fernando de Noronha, a Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente – CIPOMA é responsável pela segurança da Ilha utilizando um pelotão com 30 policias, que se revezam mensalmente.
 
A Prefeitura de Ipojuca diz que a questão da segurança vem sendo tratada como prioridade no município. Na atual gestão foi criada a Secretaria Municipal de Defesa Social (SMDS) e efetuadas melhorias na estrutura da Guarda Municipal, adquiridas novas viaturas, armamento não letal, entre outras medidas em parceria com as Polícias Militar e Civil.
 
De acordo com a prefeitura, a Guarda Municipal utiliza bicicletas para realização de rondas diárias, além de kits compostos de acessórios de proteção, rádio patrulha de comunicação e quadricículos para os salvas vidas e binóculos para monitoramento com capacidade de alcance de aproximadamente um quilômetro. Um convênio de cooperação técnica com o Governo do Estado permitiu a instalação de 40 câmeras de segurança no município.

Fonte: m.bananeirasagora.com.br
Terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Regulamentação do trabalho sexual na Índia provoca debate

Vista de uma zona vermelha na Índia, onde três milhões de trabalhadoras sexuais estão presas em um debate sobre a legalização de sua atividade. Foto: bengarrison/CC-BY-SA-2.0
 
Jameli Devi, de 36 anos, é uma trabalhadora sexual na estrada Garstin Bastion de Nova Délhi, a maior “zona vermelha” da Ásia, onde operam cerca de 12 mil das três milhões de prostitutas da Índia. Devi se sente uma desgraçada: se preocupa pelo forte debate que começou sobre o comércio sexual depois que a estatal Comissão Nacional para as Mulheres pediu a legalização da atividade.
 
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 70% das trabalhadoras sexuais da Índia sofrem abusos por parte de clientes e da polícia. Frequentemente, elas não informam todos esses abusos por falta de conhecimento sobre seus direitos básicos, afirmam ativistas.
 
“A maioria de nós se dedica ao comércio sexual não por escolha, mas porque máfias criminosas nos vende a bordéis. A campanha para regulamentar nosso negócio vai acabar dando imunidade aos proxenetas e aos prostíbulos para comprar ou vender mulheres pobres como nós, e aumentar o tráfico de mulheres jovens, meninas e meninos”, pontuou Devi à IPS.
 
Um estudo realizado pela Dasra, uma organização indiana sem fins lucrativos, concluiu que cerca de metade das vítimas de tráfico são moças adolescentes, enquanto a idade média das trabalhadoras sexuais caiu de 14 a 16 anos, para dez a 14, “porque acredita-se que as mais jovens têm menos risco de portar uma doença sexualmente transmissível”.
 
Segundo o documento, “a maioria das vítimas procede de áreas rurais, cerca de 70% são analfabetas e quase metade informaram que suas famílias ganhavam apenas um dólar por dia”.
 
Outras pesquisas indicam que a maioria das trabalhadoras sexuais na Índia procede das castas mais baixas, comunidades habitualmente submetidas à violência e à exploração em uma sociedade muito estratificada. Assim, não surpreende que dezenas de mulheres presas no comércio sexual se oponham totalmente à legalização.
 
Outra trabalhadora sexual, Sarita, de 43 anos, acredita que, embora em países mais ricos, como Estados Unidos ou China, possa existir sólidos argumentos a favor da legalização, esse sistema não é adequado para a Índia.
 
“Em países mais ricos, muitas mulheres escolhem genuinamente essa atividade devido a melhores perspectivas de renda e oportunidades (que ela vislumbra). Mas na Índia, cada mulher que entra nesse negócio foi, invariavelmente, coagida por um traficante, por sua família ou por seu marido. Assim, a dinâmica de nossa sociedade é muito diferente”, explicou Sarita.
 
O estudo A Economia por Trás do Tráfico para Trabalhos Forçados, dirigido em 2014 pelo indiano prêmio Nobel da Paz, Kailash Satyarthi, contém alguns dos dados mais atualizados sobre o florescente comércio sexual.
 
“Os números espantam. Somente na Índia, o dinheiro gerado até agora pelo comércio sexual se situa na bagatela de US$ 343 bilhões. A pesquisa confirma que vários agentes, como traficantes, donos de bordéis, prestamistas, funcionários de aplicação da lei, advogados, juízes e, até certo ponto, as vítimas de exploração sexual comercial, acabam recebendo dinheiro por sua participação”, afirmou Satyarthi no informe.
 
Um estudo de 2009 da ONU indica que o tráfico sexual é a forma mais comum de tráfico humano no mundo, o que o converte no maior comércio de escravas. Aproximadamente 79% de todo o tráfico de pessoas tem por finalidade o trabalho sexual, e é a indústria criminosa de crescimento mais rápido no planeta.
 
Os países que legalizaram a prostituição não estão muito melhor. A Holanda, que o fez em 2000, continua lidando com traficantes que contrabandeiam mulheres para os bordéis do país, segundo organizações sem fins lucrativos que operam na área.
 
Enquanto ganha força o debate sobre a legalização, a opinião pública indiana está muito dividida. Os favoráveis à medida afirmam que diminuirá o assédio, a intimidação legal e a exploração das trabalhadoras sexuais.
 
A presidente da Comissão Nacional para as Mulheres, Lalitha Kumaramangalam, que em dezembro trouxe o tema à tona ao sugerir que o comércio sexual ficará sob controle do Estado, acredita que a legalização garantirá melhores condições de vida às prostitutas.
 
Segundo ela, o tráfico diminuirá, tanto de meninas como de mulheres, e melhorará a saúde das trabalhadoras sexuais, que atualmente são obrigadas a atender seus clientes em condições pouco higiênicas e sem preservativos, o que multiplica as infecções como a do vírus HIV (causador da aids) e as de outras doenças sexualmente transmissíveis.
 
Esse é um ponto crucial para os especialistas em atenção à saúde, que consideram que a rápida propagação do HIV/aids no mundo, especialmente na Ásia e na África, pode ser mantida sob controle colocando a prostituição sob o guarda-chuva do Estado. E afirmam que isso ajudará os trabalhadores da saúde a educarem melhor a prostitutas sobre uso de preservativos e higiene básica.
 
Já os que se opõem à legislação mostram cautela diante das consequências de agregar capas de regulamentação à já enorme burocracia da Índia. E temem que a intervenção do governo possa acabar fomentando o acesso das mesmas pessoas que se busca proteger.
 
“Legalizar a prostituição é legalizar os especuladores da indústria do sexo e seus clientes”, opinou à IPS Ranyana Kumari, diretora do Centro para a Pesquisa Social, com sede em Nova Délhi. “Isso implica a violação de mulheres pobres, de castas baixas, com impunidade. E não só isso. Também converterá a Índia em um ímã mundial para o tráfico sexual e o turismo sexual”, acrescentou.
 
Donna M. Hughes, professora de estudos sobre a mulher na Universidade de Rhode Island, afirma em seu ensaio, Prostituição: Causas e Soluções, que a legalização não reduz o meretrício nem o tráfico. “Na verdade essas duas atividades crescem, porque os homens podem comprar legalmente atos sexuais, e os proxenetas e donos de bordéis podem legalmente vender e se beneficiar economicamente delas. Na Holanda, desde que se concretizou a legalização, houve um aumento no uso de meninos e meninas na prostituição”, escreveu.
 
Também há uma profunda divisão sobre o assunto entre ativistas que trabalham com prostitutas. Enquanto S. Jana, que criou o Comitê Durbar Mahila Samanwaya, fórum de 65 mil trabalhadoras sexuais no Estado indiano de Bengala Ocidental, apoia a legalização, outros temem que isso torne mais ousados os traficantes e a máfia da prostituição.
 
“As leis indianas e as políticas governamentais não conseguem proteger as trabalhadores sexuais devido às lacunas legais, que as tornam vulneráveis aos abusos. Se a prática for legalizada, a situação vai piorar”, disse à IPS a feminista Meena Seshu, fundadora da Sangram, uma organização de voluntários que trabalha no controle do HIV com sede em Sangli, no Estado de Maharashtra.
 
Para Seshu, a legalização também pode jogar por terra as tentativas de muitas organizações para reabilitar mulheres, meninas e meninos obrigados a se prostituírem. “O Estado deveria formular políticas e programas para a reabilitação de trabalhadoras sexuais que estão saindo dessa exploração sexual comercial. Isso oferecerá uma melhor solução para esse complexo problema”, acrescentou.

Segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Kesia pode ter sido morta por se recusar a fazer sexo em grupo


 
A Polícia Civil ouviu cinco pessoas na tarde desta terça-feira (20), dando continuidade às investigações no caso da empresária que se prostituía, do Estado de Tocantins, morta em um programa sexual em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

O corpo de Kesia Freitas Cardoso, de 26 anos, foi encontrado na última sexta-feira (16), em uma lata de lixo, enrolado apenas em um lençol, com marcas de golpes de faca na cabeça e pescoço. O principal suspeito é um jovem de 23 anos, que trabalha em uma oficina mecânica do Distrito Industrial, onde possivelmente aconteceu o programa.
 
De acordo com o delegado Matheus Reis Possancin, à frente das investigações, foram ouvidos funcionários da oficina e um irmão da vítima. À polícia, o parente disse apenas não saber que a irmã fazia programas sexuais. Conforme o perfil de Késia no Facebook, ela seria sócia em um escritório de arquitetura.
 
Para o delegado, outra pessoa também pode estar envolvida no crime. A suspeita é que Késia tenha sido assassinada por rejeitar manter relações sexuais com mais de um parceiro no mesmo programa. Outro ponto, é a forma como o corpo foi descartado, de cabeça para baixo, em via pública.
 
O advogado do principal suspeito já procurou a polícia e disse que seu cliente vai se apresentar, sem dizer, porém, a data.
 
Relembre
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, Kesia Freitas Cardoso foi localizada na rua Geraldo Moreira e Silva, no Distrito Industrial. Ela estava nua, com a cabeça para baixo, perto de entulhos e enrolada parcialmente em um lençol.
 
A perícia esteve no local e constatou que a jovem foi esfaqueada na cabeça e no pescoço. Conforme populares que costumam passar pelo local, a mulher provavelmente foi abandonada na última sexta-feira (16).
 
Foi nesse dia que a Kesia, que trabalha em Tocantins no ramo de arquitetura, foi vista pela última vez. A vítima estava na cidade a trabalho com mais duas amigas e teria dito a elas que teria um encontro marcado. Kesia pegou um táxi com destino ao bairro Jardim Célia e não foi mais vista.
 
Como a mulher não retornou para onde estava hospedada, uma das amigas deu uma queixa de desaparecimento no sábado (17). Em conversa com os policiais, as duas amigas da vítima contaram que são garotas de programa e que a vítima também era. Na sexta, uma delas tinha marcado um programa sexual, mas não conseguiu comparecer. Sendo assim, Kesia resolveu ir no lugar da outra jovem e saiu do hotel por volta das 14h.
 
Após a empresária sair para o programa, a amiga que deveria ir ao compromisso recebeu a ligação do mesmo homem. Ao buscar pelo número de telefone dele, a polícia descobriu que o número era de uma oficina mecânica localizada na rua Padre Miguelinho, no bairro Nossa Senhora das Graças.
 
Policiais foram ao local e fizeram contato com o proprietário e o gerente do comércio. Conforme o boletim, eles afirmaram que desconheciam o caso, uma vez que estavam viajando e tinham chegado na sexta.
 
No entanto, os homens, que são irmãos, contaram que as chaves do estabelecimento tinham ficado sob responsabilidade do filho de um deles, um jovem de 23 anos.
 
 “Não temos condições de conversar. Estamos todos destruídos com isso tudo”, se limitou a dizer uma das amigas da jovem.


Fonte: O Tempo
Quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Equipe da Unidade Oblata de Juazeiro reflete sobre as áreas a serem abordadas em 2015.

Na última segunda feira, dia 19/01, a equipe da Unidade Oblata de Juazeiro realizou o primeiro de uma série de 6 estudos das áreas, atividade esta realizada desde 2006 com o objetivo de fazer a equipe levantar suas observações sobre as áreas visitadas e assim poder levantar desafios, possibilidades e mudanças ocorridas.
Sob a condução de Ana Paula e Fernanda Lins, em principio foi feita uma memória histórica sobre a dinâmica da prostituição na cidade de Juazeiro. Em seguida a equipe levantou os principais desafios e expectativas sobre as 06 áreas abordadas: Centro da cidade - áreas 1 e 2, bairros Piranga, Jardim Flórida, D. José Rodrigues e Sol Nascente - área 3, Alto da Aliança, Mercado do Produtor, Posto Frei Damião.
Dentre os mais destacados como desafios foram apontados: violência, violação dos direitos, tráfico e consumo de drogas e o mais recente que requer uma atenção especial da Pastoral: ação da prefeitura e vigilância sanitária exigindo que os bares retirem os quartos dos locais. Este último tem trazido muita preocupação para don@s e mulheres que frequentam.
Como expectativas destes estudos, a equipe trouxe que o mesmo pode ajudar a diagnosticar novas formas de abordagem, dar encaminhamento às queixas surgidas, ajuda as agentes a estarem mais seguras na intervenção externa considerando as particularidades de cada local.
Para finalizar, as agentes definiram os próximos 5 estudos que serão realizados no decorrer do ano focando cada área especifica e ainda algumas ações para coleta de informações.

Por Joice Oliveira
Educadora Social

Chega de Fiu Fiu: combatendo o assédio em locais públicos

 
 
Se o “fiu fiu”, aquele assobio efetuado por causa da passagem de uma mulher, é ato apreciado por muitos homens, o mesmo não se pode dizer das mulheres, vítimas de assédio de todas as formas. Um assobio, um “esfrega” no ônibus lotado ou o uso de termos como “gostosa”, “avião”, etc., na maioria das vezes são atos desrespeitosos, especialmente porque feitos sem o consentimento das mulheres.
 
Chega de Fiu Fiu é uma campanha da OLGA, “um think tank dedicado a elevar o nível da discussão sobre feminilidade”, como definem as suas criadoras. O objetivo de manter vivo e frequente o debate sobre o que é erroneamente considerado rotineiro e normal, afirmam elas. De mapas online, em que mulheres podem sinalizar locais onde sofreram algum tipo de agressão, até uma pesquisa sobre o assunto que contou com 7762 participantes, as trabalhadoras do Think Olga também utilizam a arte para propagar sua mensagem através de ilustrações de vários/as artistas.
 
Uma das ações do grupo é a produção de um documentário que levará o nome da campanha: Chega de Fiu Fiu. “Além das entrevistas típicas, vamos registrar cenas de abordagens do cotidiano — e o faremos graças a um óculos com uma câmera escondida”, esclarecem as organizadoras. “Como quase todos os projetos da OLGA, o documentário também será colaborativo e esperamos enviar óculos para várias mulheres ao redor do Brasil, para elas dividam com a gente as violências sexuais que sofrem ao circular em locais públicos”.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Beneficiários do Bolsa Família têm até hoje para atualizar dados

© Foto: Vanderlei Almeida/AFP/Getty Images Quem não atender o chamado, corre o risco de ter o benefício de transferência de renda bloqueado no mês de fevereiro.
 
Termina hoje (16) o prazo para que os beneficiários do Bolsa Família atualizarem seus dados no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). A exigência vale somente para os que estão há mais de dois anos sem fazer a revisão e que receberam aviso no extrato de pagamento.
 
Foram convocadas para se recadastrar 1,2 milhão de famílias. Quem não atender o chamado, corre o risco de ter o benefício de transferência de renda bloqueado no mês de fevereiro.
 
Para fazer a atualização, os beneficiários adultos precisam apresentar obrigatoriamente a carteira de identidade, o Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou o título de eleitor e um comprovante de residência. Famílias de indígenas e quilombolas podem apresentar outro documento de identificação de validade nacional.
 
Também é preciso apresentar a certidão de nascimento e o cartão de saúde das crianças menores de seis anos. A apresentação do comprovante escolar é obrigatória para os beneficiários que tenham entre 6 e 17 anos. Cabe às prefeituras fazer o recadastramento.
 
Fazem parte do programa famílias com renda mensal de até R$ 77 por pessoa, devidamente cadastradas. Também podem receber o benefício as famílias com renda de R$ 77,01 a R$ 154,00 por pessoa, que tenham em sua composição crianças de 0 a 6 anos de idade, gestantes, nutrizes, crianças de 0 a 12 anos e adolescentes com até 17 anos.
 
A revisão de dados dos beneficiários do Bolsa Família é um processo obrigatório e de rotina, realizado todos os anos. É feita pelos municípios e o Distrito Federal. Em maio do ano passado o valor do benefício foi reajustado para R$ 77 mensais.
 
O Cadastro Único é utilizado pelo governo federal para identificar potenciais beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família, Projovem Adolescente/Agente Jovem, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e a Tarifa Social de Energia Elétrica, entre outros.
 
Além disso, o CadÚnico é utilizado para conceder a isenção de pagamento de taxa de inscrição em concursos públicos, no âmbito do Poder Executivo Federal.
 
 

Botão via aplicativo poderá salvar mulher de agressão

Sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Fonte: Diário Digital 
 
Com apenas um toque no celular, a mulher terá a chance de se salvar de uma situação de violência. Com baixo custo, o aplicativo “Botão da  Vida” é inédito no Brasil e deve ser implantado pela primeira vez em Mato Grosso do Sul.

Segundo a Just Works, empresa que desenvolveu o dispositivo, a intenção é aprimorar o serviço e disponibilizar cada vez mais ferramentas de segurança à vítima de agressão. Com o objetivo de atender mulheres que se encontram sob medida protetiva, o aplicativo foi desenvolvido para qualquer celular smartphone. Somente mulheres cadastradas poderão utilizá lo. O cadastro para instalação do app irá conter dados da vítima e do agressor como endereço, telefone e foto.

Com o app instalado, a mulher terá a opção de acionar o "botão" nos momentos em que estiver sob ameaça. Com um toque, a vítima aciona o telefone 190 da Polícia, dispara um email e uma mensagem SMS em tempo real para uma Divisão Especial da Guarda Municipal. Por meio de um painel, a equipe da Guarda irá visualizar a localização da vítima via Google Mapa.

“É um aplicativo extremamente simples que disponibiliza um botão grande na tela do telefone para que facilite o pedido de socorro”, ressaltou Kenneth Correa, diretor de tecnologia e marketing da empresa Just Works.  De acordo com ele, a ideia inicial já foi totalmente desenvolvida, mas o dispositivo permite a criação de novas possibilidades. “O projeto pode ser aprimorado. Podemos, por exemplo, futuramente criar o comando para gravar o áudio e o vídeo do ambiente em que ocorre a violência”, explicou. “O custo para cada mulher que necessitar do ‘Botão da Vida’ será zero. Apesar disso, só esperamos que não tenhamos muitas mulheres que precisem dele”, arrematou Kenneth Correa que fez a apresentação do app durante a assinatura do Protocolo de Intenções para a implantação do aplicativo, ocorrida hoje pela manhã na Secretaria de Políticas para as Mulheres.

 Com a parte da tecnologia totalmente finalizada, o que resta agora é a articulação de toda rede de combate à violência para efetivar a implantação do sistema. A criação do “Botão da Vida” levou cinco meses e o custo para desenvolvê-lo foi de R$ 20 mil reais para a Secretaria. Para mantê-lo, serão R$900 reais por mês.

“É um dispositivo prático, ágil e viável economicamente já que atenderá um número ilimitado de mulheres”, ressaltou a secretaria Liz Derzi. Segundo ela, inicialmente, o projeto era implantar o ‘botão do pânico’, uma caixinha que a mulher carrega na bolsa ou junto ao corpo, o que acarretaria um custo de mais de um milhão de reais para atender mil mulheres. Para Aparecida Gonçalves, da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, o aplicativo é mais uma estratégia para defesa da mulher. “Nossa perspectiva é trabalhar a prevenção porque a violência doméstica gera gastos de 12% do PIB mundial”, afirmou.

O Brasil, atualmente, ocupa a sétima posição entre os países em assassinatos de mulheres. O número de mortes é maior até mesmo que em países mulçumanos reconhecidos por tradições chocantes contra as mulheres. De acordo com a delegada Roseli Molina, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Campo Grande, a onda de violência doméstica preocupa. Em 2014, foram quase 6 mil boletins de ocorrência registrados. Em janeiro deste ano, o número de registros chega a 200. “Precisamos urgente do empenho de toda rede para efetivar de uma vez por todas a implantação do dispositivo”, destacou.
 

Lola e Emma, mais uma história violenta contra as mulheres na internet

Sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Fonte: Yahoo Noticias



Lola Aranovich, 44 anos, é professora da Universidade Federal do Ceará. Nos últimos meses, vem recebendo o apoio de seguidores do site e da fanpage Escreva, Lola, Escreva, pela série de ameaças que sofre de pessoas que, aparentemente, não suportam feministas. O blog da professora Lola é um blog de autor. Ela opina, diz o que pensa, conta o que acha e comenta grandes e pequenos temas (em geral, femininos).

Emma Holten, dinamarquesa, publica fotos nuas em site feminista para combater a pornô vingança do ex (Foto: Reprodução Hysterical Feminisms/Cecília Bodker).

Emma Holten, 21 anos, dinamarquesa. Nos últimos dias, decidiu veicular, no site Hysterical Feminisms, um ensaio de fotos suas. Projeto de ativismo feminista, o ensaio mostra Emma nua, clicada pela fotógrafa Cecília Bodker. Emma foi vítima de pornô vingança há quatro anos, quando fotos íntimas dela foram liberadas na internet por um ex-namorado. Com as fotos do ensaio, ela tenta resgatar a propriedade sobre sua nudez e sobre seu corpo.
 
O que as duas têm em comum? Lola, que inclusive já escreveu sobre pornografia de revanche, ou pornô-vingança, e Emma são duas mulheres vítimas de violência online. Uma é esculachada verbalmente (Lola), a outra foi humilhada pela exposição de sua intimidade (Emma). Num momento tão crítico, em que discutimos liberdade de expressão e terrorismo, a internet vem se transformando num cenário de bullying pesado contra as mulheres. Porn revenge e assédio virtual são instrumentos cortantes. Deixam cicatrizes feias.
O pesadelo não está tão distante assim. Mesmo não sendo uma atriz da Globo ou de Holywood, cujas fotos íntimas costumam ser liberadas por hackers, numa reedição do clássico e violento jogo de poder (“Eu posso invadir e posso divulgar. E vou fazer isso porque posso.”), muitas mulheres e garotas estão chegando ao escritório ou a sala de aula para descobrir que foram transformadas em domínio público. Fotos (nuas, seminuas, de biquíni ou de burca, não importa) feitas na intimidade vazam para os olhos de conhecidos e desconhecidos. Alessandra Ginante, VP de RH da Avon, falou sobre este tipo de cyberataque recentemente, neste blog, ao comentar dados de pesquisa com jovens, do Instituto Avon, sobre violência contra a mulher.
 
As fronteiras entre o público e o privado estão cada vez mais embaçadas, o que significa que deveríamos ter cuidado com o que deixamos na rede. (Um parêntese: o que acharão nossos filhos, adultos, das fotos que publicamos de sua infância? Tadinhos…) Mas a publicação, não consentida, de fotos ou conversas íntimas, é de uma violência abominável. Não se justifica. Acho que uma das coisas mais perversas numa situação como essa é a reação de grande parte das pessoas, inclusive mulheres, que culpam a vítima e não o violentador. “Ah, mas se ela não tivesse tirado essas fotos….” “Ah, se ela não fosse tão descuidada”. Te lembra alguma coisa?

 
 

'Bata nela!': Campanha usa crianças para conscientização sobre violência contra a mulher


A inocência infantil pode conter muito mais gentileza e educação do que muitos adultos. A empresa italiana fanpage.it fez uma experiência para ver qual seria a reação das crianças sobre a violência contra a mulher como parte de uma campanha de conscientização sobre o problema.
 
O vídeo publicado neste domingo no Youtube já está se espalhando pela rede. Nele, alguns meninos são apresentados a Martina, uma garota que faz muitos deles soltarem risadinhas envergonhadas e olhares apaixonados. Eles enumeram o que acham mais bonito nela: alguns preferem os olhos, outros, o cabelo e um não tem vergonha de admitir que gosta de tudo.

Ao pedirem para acariciarem a menina, eles não hesitam e alisam seu braço, rosto e cabelos, mas a expressão e a reação deles muda quando o narrador pede para que eles dêem um tapa nela. Todos olham surpresos e respondem "não".  E por que não? Nas palavras deles, os motivos são vários:

"Porque ela é uma menina, eu não posso fazer isso"
"Porque eu sou contra a violência"
"Porque eu não quero machucá-la"
"Porque Jesus não quer que a gente bata nas pessoas"
"Primeiramente, não posso bater nela porque ela é bonita, e ela é uma menina. Como diz o ditado: 'Não devemos bater em mulheres nem com uma flor, nem com um buquê de flores"

 
Ao final do vídeo, um deles é pedido para dar um beijo em Martina e rapidamente responde: "Na boca ou no rosto?".

Fonte: Extra Globo







Unidade Oblata em Juazeiro retoma as atividades no novo ano.

A equipe da Pastoral da Mulher - Unidade Oblata em Juazeiro/Ba retomou no dia 06 de janeiro, às suas atividades previstas para 2015. Com o planejamento pronto para o novo ano, desde o final de 2014, as agentes realizaram nesta primeira semana, ajustes necessários no documento como ainda a socialização das atividades com os agentes responsáveis.
A equipe também elaborou planos de ação de atividades mais internas e de acompanhamentos grupais, favorecendo com que a condução do processo seja mais consistente e os resultados esperados sejam alcançados.   
As mulheres acompanhadas pela Unidade poderão esperar em 2015, ações que contemplem as diversas dimensões da vida, através de um acompanhamento personalizado e grupal. Em janeiro, o contato com as mulheres no locais será retomado pouco a pouco e em seguida o grupo Mariart`s de teatro fará uma apresentação acompanhada das agentes responsáveis para realização de atividade atrativa.
Na sede foi se pensada em várias atividades, sendo que algumas darão continuidade ao processo de 2014 como oficina de informática, oficinas rápidas, visitas domiciliares; todas muito bem avaliadas no ano anterior. De novidade, será oferecido para as mulheres um espaço de cuidado a saúde física e mental denominado como "Momento Fitness" onde elas poderão usufruir de aulas de zumba e outras modalidades como ainda fazer um acompanhamento periódico de peso, medidas, pressão arterial e testes rápidos de glicemia.
Os encontros de espiritualidade também retomarão em 2015 com o grupo já definido, mas também com a abertura para novas mulheres. Este ano, ainda no segundo semestre, as agentes farão um projeto denominado "Casas de Benção" onde os encontros de espiritualidade serão feitos nas residências das mulheres que aceitarem esta atividade.
O trabalho de acompanhamento aos grupos comunitários também será retomado assim como todo processo de participação externa nos diversos espaços sociais e politico. 
E assim, estas e outras ações serão realizadas neste ano de 2015. E durante todo o ano estaremos aqui em nosso espaço, divulgando essas e outras ações e seus resultados; com a perspectiva de que as mulheres acompanhadas alcancem novos horizontes e superem suas dificuldades.     

MPT-BA começa a apurar seleção para camarote que pede fotos nuas.


Um procedimento aberto pelo Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT) começa a apurar o recrutamento feito por uma agência de modelos que pedia fotos nuas e íntimas de garotas para atuação  em um camarote no carnaval de Salvador.

De acordo com a Procuradoria, a agência Mega Polo Models retirou o anúncio de sua página no Facebook após a repercussão em sites de notícias. Até a manhã desta segunda-feira (12), o MPT não havia decidido sobre a abertura de inquérito do caso.

O anúncio da vaga pedia no mínimo 15 fotos das candidatas, algumas nuas e de lingerie, e enfatizava que "beleza é fundamental".

O comunicado explicava que a empresa buscava garotas em duas categorias: ficha branca e ficha rosa. Para as candidatas ficha branca, o cachê diário é de R$ 1 mil, além de ajuda de custo. Já para as ficha rosa, o valor sobe para R$ 8 mil por dia, com ajuda de custo, além de acesso à área vip, shows e festas privadas.

Para participar da seleção, o anúncio exige fotos com traje de legs, short com top, macacão, biquini ou lingerie" – e destaca que as meninas ficha rosa devem enviar fotos nuas.

O MPT-BA adiantou que o fato precisa ser investigado. "A primeira análise nos remete a indício de pelo menos duas questões extremamente delicadas: a prática de crime de facilitação de prostituição e a discriminação contra a mulher, já que o anúncio faz exigências completamente descabidas para um eventual contrato de trabalho, como beleza e apresentação de fotos das candidatas nuas", disse o coordenador do primeiro grau do MPT na Bahia, o procurador Bernardo Guimarães.

O caso chegou ainda ao conhecimento do Grupo de Defesa da Mulher, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio da Superintendência Especial de Políticas para as Mulheres, da Prefeitura de Salvador, informa o MPT.

Na sexta-feira (9), tanto a  Ambev quanto a 2GB Entretenimento, produtora do camarote, negaram qualquer relação com a Mega Polo Models. O G1 ligou para o escritório da Mega Polo Models, que fica em São Paulo, mas ainda não foi atendido.

Em nota, a assessoria da Ambev negou participação na seleção:
A Ambev afirma que não tem qualquer relação com os recrutamentos em questão e repudia veementemente qualquer prática que não esteja em total conformidade com a lei. A empresa tomará as medidas legais cabíveis para evitar que suas marcas sejam usadas de forma indevida.

A 2GB Entretenimento também divulgou nota informando não ter qualquer vínculo com a Mega Polo Models:

A 2GB Entretenimento informa e alerta aos parceiros, à imprensa e ao público em geral, que não contratou ou autorizou nenhuma empresa para realizar serviço de seleção em nome do Camarote Skol. O evento “SELEÇÃO DE MENINAS PARA CARNAVAL CAMAROTE SKOL 2015", criado no Facebook e organizado pela Mega Polo Models, não tem aprovação, conhecimento e nem amparo da 2GB, não sendo, portanto, de sua responsabilidade e nem autorizado por quem de direito.

Prostitutas de Havana esperam que acordo com EUA traga mais clientes

 
Nelia, 20, aluga um quartinho no apartamento de uma senhora no centro de Havana. É lá que a moça mora desde que chegou do interior, há quatro meses.
 
Quando Nelia leva o cliente para casa, a dona do apartamento entrega um lençol limpo e fecha a porta que separa o quarto da sala.
 
"Prefiro atender em hotel, mas às vezes o cliente não quer me levar até lá", diz a morena franzina.
 
Como muitas cubanas, Nelia vê a prostituição como atalho para sair da pobreza e só atende estrangeiros -Cuba recebe três milhões de turistas por ano, boa parte homens em busca de sexo.
 
O número de visitantes deve engrossar em breve com a chegada dos americanos no embalo da normalização entre Havana e Washington.
 
O acordo histórico firmado em dezembro prevê o relaxamento das restrições de viagem de cidadãos dos EUA a Cuba e uma reaproximação econômica.
 
Marlene Bergamo/Folhapress
Jovens que se prostituem aguardam por clientesno Malecón, calçadão à beira-mar em Havana
Jovens que se prostituem aguardam por clientesno Malecón, calçadão à beira-mar em Havana
 
Nelia é leiga em política, mas entende que o pacto pode beneficiá-la. "Quanto mais turistas, melhor", diz a moça, que trabalha no Malecón, o calçadão à beira-mar em Havana.
 
Yosefin, 20, que também faz ponto no Malecón, está animada com a possibilidade de atender americanos: "Eles têm fama de gastões."
 
Mas Beatriz, 20, que trabalha na rua e em discotecas, se mostra preocupada com um possível efeito colateral da presença americana.
 
"Cidadãos dos EUA continuarão sendo tema sensível aos olhos do nosso governo e, por isso, acho que haverá ainda mais policiamento nas ruas", diz Beatriz, ecoando o pânico que prostitutas cubanas têm das autoridades.
 
Em tese, a prostituição não é vetada. Mas a polícia reprime com força o proxenetismo e, principalmente, o "assédio a turistas", termo jurídico vago que dá carta branca para prender prostitutas.
 
Críticos dizem que a polícia usa o pretexto do assédio para dificultar contatos com estrangeiros e para extorquir garotas de programa.
 
Beatriz já ficou presa uma semana por conversar com um turista. Yosefin passou uma noite na delegacia antes de ser libertada.
 
Para despistar patrulhas, garotas de programa costumam caminhar alguns metros à frente dos clientes enquanto se dirigem ao local onde o serviço será prestado.
 
Mas na porta do Deauville, lúgubre hotel em frente ao Malecón, a Folha viu policiais que assistiam sem reagir a um ostensivo entra e sai de cinquentões europeus e prostitutas. "Para trabalhar no Deauville é preciso ter algum esquema com o pessoal do hotel. E eu não tenho nada disso", diz Nelia, inquilina do quartinho.
 
COMPETIÇÃO
Sozinha e inexperiente, Nelia se queixa da dura concorrência e diz passar dias sem trabalhar. Além das profissionais, há garotas que fazem programas ocasionais.
 
Quando o repórter pergunta se a filha adolescente da dona do apartamento, que assiste à TV com uma toalha na cabeça após lavar o cabelo, também faz programa, Nelia responde: "Só de vez em quando. Mas a mãe não sabe, porque ela só tem 16 anos."
 
Nelia cobra o equivalente a US$ 50 por programa no quarto alugado e o dobro em hotel -valores maiores do que a renda mensal média dos cubanos.
 
No ramo há oito anos, Yanela, 24, diz ter conseguido economizar dinheiro a ponto de ficar meses sem trabalhar. Como outras garotas, ela afirma receber, além do valor pelo serviço, presentes como roupas e eletrônicos de marca, inacessíveis para muitos cubanos.
 
"Estrangeiros são mais generosos e educados. Por isso, não trabalho com cubanos, nem com os que têm dinheiro", diz Yanela. "Só não entendo por que os gringos são tão mal dotados", diverte-se.

 Beatriz também ri ao relatar experiências. "Turcos são brutos. Russos também, mas pagam melhor. Alemães e italianos são românticos", diz.
 
Nenhuma das garotas teve clientes brasileiros.
 
Yoselin conta que há turistas carentes que pagam o valor de um programa apenas para ficar conversando. "Alguns dizem que só querem bater papo, mas acabam não resistindo e pedindo o resto."
 
SONHO NO EXTERIOR
Todas as meninas ouvidas pela reportagem dizem que continuarão no ramo até realizar o sonho de sair de Cuba.
 
Beatriz já tirou passaporte e pedirá visto no consulado da Itália sem dizer que seu plano é fazer programas em Milão até arranjar marido.
 
"Eu sei que a Europa é dura e que muitas garotas são obrigadas a trabalhar em prostíbulo, mas tenho propósito na vida, que é ter casa e fundar família."