terça-feira, 30 de junho de 2015

Estuprada, baleada, esfaqueada: ‘Meus 25 anos como prostituta’



Brenda Myers-Powell conta como retomou sua vida e abriu uma ONG para ajudar meninas vulneráveis  

Brenda Myers-Powell era apenas uma criança quando se tornou uma prostituta, no começo dos anos 70. Aqui, ela descreve como foi atraída para as ruas e como, três décadas depois, ela dedica sua vida a garantir que outras meninas não caiam na mesma armadilha. (O depoimento de Brenda pode chocar algumas pessoas.)

II Encontro Formativo para novos voluntários da Pastoral Social em Petrolina

No dia 27 de junho de 2015 dando continuidade a formação das novas voluntárias para o trabalho com mulheres em contexto de prostituição em Petrolina/PE, ocorreu o II Encontro Formativo com o tema: "Regulamentação da Prostituição: uma forma de interpretar”, com a assessoria de Fernanda Lins e Railane Delmondes, trabalhadoras sociais da Pastoral da Mulher de Juazeiro - Unidade vinculada ao Instituto das Irmãs Oblatas no Vale do São Francisco.
 

Pastoral de Juazeiro promove Encontro de Espiritualidade com mulheres

 
No dia 18 de Junho, a Pastoral da Mulher de Juazeiro (Unidade Oblata no Vale do São Francisco) realizou mais um encontro de Espiritualidade com as mulheres, sendo abordado o temaFamília: é a base de tudo?”. Este foi um assunto sugerido pelas próprias mulheres, que tem demonstrado o interesse de partilhar e, ao mesmo tempo, fazer orações e pedidos a Deus por seus familiares.

Britânicas oferecem sexo em troca de ajuda para pagar universidade

Jovens contam detalhes sobre relacionamentos com 'sugar daddies', como são conhecidos homens mais velhos que, pela internet, se oferecem para ajudar com 'mesadas'.

Emma Jane Kirby BBC News
 Relacionamentos "sugar daddy" são facilitados por páginas na internet  (Foto: Thinkstock) Relacionamentos "sugar daddy" são facilitados por páginas na internet (Foto: Thinkstock)
 
É uma tendência em alta na Grã-Bretanha: mulheres buscam homens maduros e economicamente saudáveis que lhes ofereçam dinheiro para bancar estudos ou dar "mesadas" em troca de uma relação - os chamados "sugar daddy".
 

Prostitutas reagem à repressão na Coreia do Sul


Kim Jeong-mi, abriu um processo depois de ser maltratada durante uma batida policial | Jean Chung/The New York Times

Kim Jeong-mi, prostituta de 43 anos em Seul, diz conhecer bem a humilhação. Ela costuma cobrar dos clientes de 20 mil a 30 mil won, ou cerca de US$ 18 a US$ 27 —aproximadamente um terço do que recebem suas concorrentes mais jovens. Quando em desespero, ela chega a cobrar 10 mil won.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Estudante morta pelo namorado fazia TCC sobre violência contra a mulher

isabella_300pIsabella Cazado foi morta pelo namorado e cunhado, segundo a polícia.
Assassinato ocorreu durante discussão dentro de carro em cidade de MT
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Por Denise Soares, do G1
 
 
A estudante de direito Isabella Cazado, de 22 anos, assassinada a tiros durante uma discussão com o namorado no dia 31 de maio, fazia um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre violência contra a mulher. Ela estudava o 9º semestre do curso na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), no campus de Diamantino, a 209 km de Cuiabá.

Sobre o livro "Prostituição e outras formas de amor"


Dizem que é a profissão mais antiga do mundo. Para a antropóloga Soraya Silveira Simões, a prostituição é objeto de pesquisa há 15 anos. Para fugir a simplificações grosseiras e suposições infundadas, ela ouviu um sem-número de mulheres da vida e, ao lado de Hélio Silva e Aparecida Fonseca Moraes, reuniu artigos que abordam os mais diversos aspectos dessa chamada vida fácil no livro Prostituição e outras formas de amor. “Queríamos abordar essa troca econômico-sexual sem vieses estigmatizantes”, concordam os três organizadores.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Polícia acha casa de prostituição com grades e cadeado nos quartos no DF

Papéis em parede traziam regras e previam multa; havia duas adolescentes.
Dono de bares e suspeito de gerenciar local, idoso de 89 anos foi preso.

Mara Puljiz Da TV Globo, em Brasília

 "Quando chegava um interessado, ele pagava o valor do programa para o bar, e a menina subia para o quarto, mas ela só recebia ao final do dia ou no dia que ia embora para sua cidade. Quem fazia mais programa, ganhava mais. O dono sempre ganhando uma parte" Johnson Kennedy Monteiro, delegado da 15ª DP"



A Polícia Civil do Distrito Federal fechou três bares na noite desta sexta-feira (19) que funcionavam como "atrativo" para uma casa de prostituição na QNN 4 de Ceilândia. Os gerentes de cada um e o dono deles – um idoso de 89 anos – foram presos. Mulheres encontradas pelos agentes no local prestaram depoimento na delegacia.

Prostituta diz que cortou motorista em 20 partes para vingar tortura sexual

Em entrevista ao G1, Marlene Gomes fala pela 1ª vez sobre crime de 2014.
Ela e comparsas espalharam corpo e cabeça em Higienópolis e Praça da Sé.

Kleber Tomaz Do G1 São Paulo


Um ano após ter sido presa preventivamente por matar e esquartejar em 20 partes o corpo de um cliente, espalhando os pedaços dele em São Paulo com a ajuda de duas amigas, a prostituta Marlene Gomes, de 57 anos, rompeu o silêncio.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Argentina reeduca homens violentos para coibir agressões a mulheres

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Na tentativa de evitar a reincidência de casos de violência contra mulheres, alguns hospitais públicos e ONGs da Argentina têm colocado em prática programas educativos para homens que já agrediram suas namoradas ou esposas.
 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Formação sobre Higiene Íntima para profissionais da Pastoral da Mulher.

No dia 15 de junho as professoras da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Lucieneide Santos e Kamila Juliana Santos, do colegiado de enfermagem, realizaram uma formação para a equipe de trabalhadores sociais da Pastoral da Mulher/Unidade Oblata de Juazeiro com o objetivo de ampliar o conhecimento da equipe acerca dos cuidados com a higiene pessoal e íntima da mulher.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Garota de programa do TO diz que namorado aceita trabalho 'numa boa'

'Ele só pede para eu não me envolver com os clientes', diz Adriana.
Profissional conta que não vai passar o dia 12 com namorado.

O Dia dos Namorados para uma garota de programa de 24 anos vai ser um tanto inusitado neste ano.

Durante o dia, a jovem, que usa o nome fictício de Adriana, atenderá clientes de Palmas e à noite sairá com as amigas para fugir da rotina. O jantar romântico com o namorado não vai rolar neste ano, pois ele estará viajando com a família.

Adriana é garota de programa desde outubro de 2014, em Palmas (Foto: Arquivo Pessoal)Adriana é garota de programa desde outubro de 2014, em Palmas (Foto: Arquivo Pessoal)

 
Diferente do que muitos imaginam, a profissional vive um relacionamento normal há quatro meses e, segundo Adriana, o amado não se incomoda com o trabalho dela. "Ele me conheceu assim, eu já trabalhava [como garota de programa]. Meu namorado aceita numa boa. Ele só pede para eu não me envolver afetivamente com os clientes."
 

Violência contra mulher é resultado de machismo, não de natureza masculina

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O estudioso americano Matthew Gutmann defende o estudo de masculinidades para se acabar com a desigualdade de gênero e machismo
 
por  no Ponte
 
O comportamento masculino é determinado pela biologia”. “A natureza do homem é violenta, sexual, instintiva e difícil de ser controlada”. Essas são algumas explicações usadas para justificar posturas machistas e violentas por parte dos homens e que são desconstruídas por Matthew Guttmann, antropólogo especialista em masculinidades da Universidade Brown, dos Estados Unidos.
 
Em recente visita ao Brasil, Guttmann participou do I Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres, em São Paulo e organizado pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Vladimir Herzog.
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Inauguração da Casa da Mulher Brasileira em Brasília reforça tolerância zero à violência

Expandir o atendimento humanizado às mulheres vítimas de agressões por meio de serviços integrados em um único espaço físico é o que propõe a Casa da Mulher Brasileira. A iniciativa do governo federal que já atendeu 2.500 mulheres em apenas quatro meses de funcionamento em Campo Grande (MS), inaugurou  a segunda unidade em Brasília.
 
De acordo com a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, que concedeu entrevista ao programa Bom Dia Ministro, nesta terça-feira (2), a inauguração da segunda Casa reafirma o compromisso do governo federal de tolerância zero à violência de gênero. “É com orgulho que inauguramos a segunda Casa da Mulher Brasileira, pois esta é uma política nacional forte, ousada e determinada de combate à violência. Neste espaço nós estamos oferecendo serviços especializados apoiados na Lei Maria da Penha”, reforçou a ministra.
 
Além de Brasília, a ministra também afirmou que a próxima casa a ser inaugurada ainda neste ano será em São Luís (MA) e até o final do ano serão inauguradas outras duas unidades na Bahia e no Ceará. Já nas capitais Curitiba (PR), Vitória (ES) e São Paulo (SP), além de Boa Vista (RR), as obras serão retomadas e iniciadas o mais breve possível. Em Palmas (TO), Rio Branco (AC), Belém (PA), Maceió (AL) e Porto Alegre (RS), as obras estão na fase de licitação.

Atendimento humanizado em Campo Grande
 
Segundo Menicucci, os atendimentos orientados a homens, mulheres e crianças, em Campo Grande (MS), somam mais de 9.300. “Neste universo, 2.500 mulheres foram encaminhadas para os serviços especializados da Casa”. A ministra também informou que 943 medidas de proteção à mulher foram expedidas. “Todos estes dados só reafirmam que os serviços integrados humanizam e salvam as mulheres da incidência de morte”, afirma a ministra.

Cortes no orçamento não irão afetar construção das Casas
 
A ministra afirmou que os cortes pontuais no orçamento não comprometeram os investimentos da pasta na construção das Casas. As obras serão realizadas dentro do prazo estipulado para cada estado. “Nós temos sim recursos para implantação das casas, aliás, foi determinado que inaugurássemos previamente estas duas unidades”, afirmou a ministra.
Espaço integra ações que previnem a violência, promovem a cidadania e acolhem as mulheres para que se libertem do ciclo de agressão

Violência contra mulher: situação nacional
 
Com a implantação da Casa a ser realizada em cada um dos estados, em conformidade com a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a ministra acredita que o País conseguirá reverter a estatística que o coloca na sétima posição mundial de assassinatos de mulheres.
 
“A questão da violência contra as mulheres não atinge só o Brasil, é uma questão planetária. Para reverter esta situação, é preciso mudar o conformismo e a passividade de toda a população. Para tanto, o governo federal já sancionou a Lei do Feminicídio que  transforma em crime hediondo o assassinato de mulheres decorrente de violência doméstica ou discriminação de gênero”, afirmou Menicucci.
 
De acordo com a ministra, a Lei Maria da Penha está entre as três regulamentações melhor avaliadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), porque possibilita que agressores sejam presos em flagrante, ou que tenham sua prisão preventiva decretada, quando ameaçarem a integridade física da mulher.
 
“Enxergando o apoio e efetividade das políticas públicas, a mulher vai procurar auxílio. Este é a nossa principal meta, acabar com o ciclo da violência. E com a lei Maria da Penha, a efetividade do estado perante essas situações é mais forte e mais firme”, disse Menicucci.

Ministra defende reforma política inclusiva
 
Menicucci defende uma reforma inclusiva, que estabeleça cotas de no mínimo 30% da ocupação de cadeiras das casas legislativas para mulheres. “A cultura patriarcal e machista no Brasil tem impedido mulheres de ascenderem a cargos políticos no legislativo”, reforçou completando que o governo federal tem feito parceria com todas as parlamentares, a fim de defender este mínimo porcentual.
 
Atualmente, as mulheres, que representam 52% do eleitorado e 45% do mercado de trabalho, ocupam 10% das cadeiras na Câmara dos Deputados, 16% no Senado, e uma média de 11% das assembleias legislativas e 13,3% das câmaras de vereadores.


Fonte: Portal Planalto

ANS e 40 maternidades iniciam projeto pelo parto normal

Nos hospitais privados, além da banalização das cesáreas, há frequentes relatos de hostilidade contra o bebê e a mulher. O recém-nascido, por exemplo, não fica com a mãe nos primeiros momentos de sua vida, o que atrapalha a formação do vínculo (Foto: Reprodução/Facebook)

Desafio é conscientizar gestantes, médicos e mudar o sistema de atendimento em hospitais particulares para que a cesárea seja exceção e não regra.
 
Do Portal Brasil 
 
Oito em cada 10 crianças que nascem em um hospital particular vêm ao mundo por meio de uma cirurgia. Esta é a realidade que o projeto Parto Adequado pretende mudar. Lançado no ano passado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Hospital Israelita Albert Einstein – com o apoio do Ministério da Saúde e Institute for Healhcare Improvement (IHI) –, o projeto deve criar mecanismos de organização e sensibilização para reduzir a taxa de partos cesáreos realizados na rede privada de saúde no Brasil, que é de 84,6%. O percentual supera e muito a taxa recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 15%.
 
Segundo a gerente executiva de Aprimoramento do Relacionamento entre Operadoras e Prestadores da ANS, Jacqueline Torres, o projeto vai ajudar os hospitais participantes a se reorganizarem por meio de evidências científicas, buscando modelos assistenciais que se adaptem melhor às realidades e objetivos dos hospitais. O projeto-piloto deve ser concluído em setembro de 2016 e até lá serão realizados vários encontros, com aplicação de modelos, além do monitoramento de resultados preliminares.
 
Por enquanto, ainda não há meta geral de redução, mas os hospitais estão estipulando índices viáveis dentro do contexto de cada instituição. A partir da definição desses objetivos será possível traçar um índice nacional a ser atingido.
 
“Estamos muito motivados. Claro que o resultado vai aparecer ao longo do processo e o projeto-piloto vai nos ajudar a entender onde acertamos e onde temos que fazer ajustes, mas acreditamos que no final de todo o processo, quando conseguirmos modificar o sistema poderemos melhorar a atenção ao parto para toda a população”, afirma Jacqueline.
 
Ela explica que o desafio não é somente conscientizar gestantes e médicos, mas modificar o sistema assistencial atual. “Da forma como o sistema está organizado leva médicos a optar pela realização da cesárea: ele tem um número grande de pacientes para atender, recebe por procedimento, enfim. O atendimento pode ser feito, por exemplo, por uma equipe de plantão que terá sempre um médico e uma enfermeira obstetra para realizar o parto”, cita.
 
Estão participando 40 hospitais – entre eles cinco maternidades que atendem pelo Sistema Único de Saúde. Entre as instituições privadas, oito estão entre as 30 maiores em volume de partos do País e 11 entre as 100 maiores, o que demonstra o compromisso social com a melhoria da qualidade da atenção ao parto e nascimento. Esses hospitais possuem taxa de cesarianas de 88,7% – superior à identificada na saúde suplementar (84%) e na rede pública (40%). Já os estabelecimentos do SUS foram escolhidos por apresentarem percentual de cesarianas acima de 60% e por realizarem mais de mil partos por ano.
 
Papel de enfermeiras obstetrizes foi importante para baixar taxas em Jundiaí
 
O projeto vai contar com hospitais particulares que já têm experiência na redução das taxas de partos cesáreos. Um deles é o Hospital Paulo Sacramento, de Jundiaí, que se orgulha de ter começado o processo de conscientização da equipe relativa às cesáreas em 1994. De acordo com José Emílio Duran Bueno, diretor médico do hospital, uma das exigências para receber o selo Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), era a redução da taxa de cesárea, na época em torno de 90%. Ele aponta que um dos destaques foi a contratação de enfermeiras obstetrizes, em 2007, com o objetivo de tornar o atendimento às mães mais humanizado. Hoje, a taxa é de 45%.
 
A estratégia utilizada foi adotar o programa de Aleitamento Materno, associado ao programa de gestação segura, onde o acompanhamento das gestantes é monitorado por equipe especializada. Por este modelo, o casal é informado durante toda gestação sobre o parto em cursos para gestante.
 
Para garantir uma eficácia da ação todos os colaboradores, profissionais médicos e enfermeiros são constantemente treinados e atualizados para a implementação das políticas que envolvem o aleitamento materno e a promoção do parto humanizado. “Realizamos treinamentos, fazemos acompanhamentos dos índices e incentivamos a equipe para que ela se mantenha motivada. Além disso, fazemos orientação prévia da gestante”, disse ele sobre o empenho para manter os índices.
 
Colaborador
 
O Hospital Albert Einstein é o Colaborador técnico-científico e operacional do projeto. O que significa que a instituição é responsável pela logística de participação dos hospitais e capacitará os participantes, atuando como laboratório de excelência na atenção à saúde. O Hospital também participará como hospital-piloto, testando as mudanças propostas ao longo do processo.
 
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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Precisamos da Lei do Feminicídio. E precisamos abalar as estruturas do machismo

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Sempre me incomodou como brasileira, cidadã e, principalmente como advogada, como o descaso com o cumprimento de regras por parte de parte da população leva a uma hiperatividade legislativa apenas para tornar mais severas punições para desvios de conduta que já não conseguíamos punir. Ou seja, as leis surgem para “corrigir” a falta de fiscalização de uma lei anterior que se fosse corretamente aplicada de forma isonômica já proporcionaria um convívio harmonioso em sociedade.
 
Por , do Brasil Post 
 
É fato que paira sobre nós a ilusão de que a severidade da pena de alguma forma inibe a conduta criminosa coisa que eu particularmente sempre questionei. Ninguém deixa de beber e dirigir porque a multa está mais alta mas muitos o fazem quando as blitz começam realmente a acontecer. Maior prova disso é o fato de termos cidades em que a Lei Seca “pegou” e outras em que tudo corre como sempre correu (vide Rio versus Curitiba). A certeza da punição é certamente mais eficaz na prevenção do delito do que a severidade de uma pena não fiscalizada, ainda que, na minha opinião não seja também a punição a razão pela qual as pessoas deixem de cometer crimes e os Estados Unidos são a grande prova disso afinal de contas um dos países com penas mais severos do mundo é também o líder absoluto em população carcerária. Se apenas a severidade e certeza das penas resolvessem porque cargas d’águas esses cidadãos insistem na criminalidade?
 
Não deve causar espanto portanto que, à primeira vista, quando ouvia falar de criminalizar a homofobia e de tornar hediondo o homicídio pela condição de gênero minha primeira reação era de incômodo. Me pareceu sempre muito óbvio que esse tipo de crime já estaria qualificado (sendo portanto hediondos) em pelo menos duas (quando não em todas) das 5 qualificadoras possíveis[1].
 
Afinal o que é mais torpe e fútil do que atentar contra a vida de alguém pela sua condição de gênero ou orientação sexual? Como defender que um crime que não tenha fundamento outro que a irracionalidade e o machismo possa não se enquadrar em uma dessas qualificadoras?
 
Pois bem, eu estava errada.
 
Aparentemente não está claro para a maioria dos operadores do direito, inclusos aí os digníssimos membros da magistratura, que quando um homem mata uma mulher por ciúme ele está cometendo um homicídio qualificado. Não! A maioria acha ainda, em pleno século XXI, que este tipo de crime se enquadra na atenuante “sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima [2]” já que, né… #quemnunca #sqn
 
Comecei a me dar conta ao estudar em mais profundidade o tema e os números da violência contra a mulher no Brasil e no mundo, que precisamos sim dizer, e por que não gritar, que não se pode sair por aí espancando ou matando a namorada, mulher, mãe, filha, etc., simplesmente pelo fato de ela não ter atendido o padrão de comportamento esperado pelo sistema patriarcal.
 
Se somos o País onde precisamos legislar sobre tudo e dizer com todas as letras que maltratar animais é crime, que fazer o consumidor de otário também, precisamos então escancarar ao policial que atende a ocorrência de violência doméstica, ao promotor, ao juiz e à sociedade como um todo que tem alguma coisa muito errada quando 68,8% das mortes de mulheres acontecem no âmbito doméstico, nas relações privadas e mais íntimas, com mais intensidade e barbárie do que nos crimes patrimoniais (assalto, latrocínio, sequestro, etc.). Tem algo de muito torto e cruel em uma sociedade onde a maioria de assassinatos contra mulheres é cometida por pessoas com quem ela mantém ou mantinha algum tipo de relação de afeto, como cônjuges e/ou namorados ou os respectivos ex.
 
Se é preciso uma nova lei para chamar atenção ao fato de que o Brasil ocupa a 7ª posição de maior número de assassinatos de mulheres no mundo, num ranking com 84 países que venha mais uma lei… que venham todas quantas forem necessárias para compreendermos finalmente que tem algo muito errado com uma sociedade que trata suas mulheres como ou pior do que animais em termos de proteção legal!
 
Honestamente não acredito que uma lei resolva um problema tão profundo e estrutural, mas hoje vejo com muita clareza a importância da lei do feminicídio para ao menos evidenciar a existência desse problema. Ao começarmos a classificar os homicídios contra mulheres por razões de gênero dando “nome aos bois” poderemos quem sabe ter políticas públicas mais eficientes a esse respeito e principalmente colocar o elefante branco na sala de uma sociedade que ainda acredita que “o machismo já é coisa do passado e que a moda agora é namorar pelado”.
 
“Ahhhhh mas eozomi???? Eles morrem muito mais do que mulheres de morte violenta. E ainda por cima são obrigados a servir o exército…zzzzzzzzzzzzzz”
 
Parece tão difícil para alguns entenderem que não se trata de negligenciar o direito dozomi, mas de apontar uma condição de violência distinta. As causas que levam ao assassinato de homens (em sua maioria jovens, negros e pobres) são igualmente graves e devem ser endereçadas e corrigidas, mas acontece que as mulheres são assassinadas em circunstâncias em que os homens não costumam ser e é necessário expor tais circunstâncias. Homens não são esfaqueados porque supostamente estavam “dando mole para alguém” ou porque a mulher não aceita a separação. Ao menos não em regra (assim como também tem casos em que mulheres são mortas em assaltos, etc.). O que mais mata essas mulheres é o machismo!
 
O que está por trás de todos esses crimes é um sistema que objetifica e diminui a mulher em todas as esferas da vida pública banalizando a violência contra ela que é considerada pelo inconsciente coletivo como um ser de segunda categoria, um amontoado de carne que existe para servir e dar prazer ao homem. Seja no mercado de trabalho, na autonomia da vida sexual ou em qualquer papel que uma mulher exerça na sociedade, o mesmo sistema que caga regras de que a mulher tem que se dar ao respeito, que compara mulheres a fechaduras e homens a chaves mestras (sim! Isso ainda existe!), ou que determina que a culpa de um estupro é da roupa e não da bestialidade do estuprador é o que faz com que um crime tão grave quanto o homicídio, quando cometido contra uma mulher por ciúme seja atenuado e não agravado!
 
Uma sociedade que tem sites e páginas (que não cito por razões de não dar audiência) que fazem apologia ao estupro, à discriminação de gênero e à violência seguidas por centenas de milhares (ás vezes milhões) de pessoas (inclusive mulheres) e onde a cada uma hora e meia ocorre um feminicidio realmente precisa que se diga em lei que não se podem matar mulheres pois isso é torpe, é fútil e sinal de atraso social. Ao julgar a constitucionalidade do aborto de anencéfalos, o ex Ministro do STF Carlos Ayres Britto citou com maestria o sociólogo francês (sim! sociólogo foda ou é francês ou alemão!) Charles Fourier: “O grau de civilização de uma sociedade se mede pelo grau de liberdade da mulher”.
 
Precisamos da lei do feminicídio mas mais do que tudo precisamos abalar as estruturas do machismo! Precisamos no nosso dia a dia garantir com pequenas e grandes ações que os números da violência contra a mulher parem de nos envergonhar como espécie!
 
Foi pensando em tudo isso e na dificuldade dos operadores do direito e da sociedade em geral aceitarem essa nova lei (assim como foi na época da Lei Maria da Penha) que levamos à OAB do Paraná o tema para debate que foi prontamente acolhido pela Presidência da entidade que nos deu carta branca para organizar pela CEVIGE – Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero o evento que abordará aspectos sociais, sociológicos e jurídicos do tema. Teremos no evento que ocorre no próximo dia 9 de junho na OAB/PR importantes nomes relacionados ao tema e algumas heroínas pessoais da causa como a Dra. Silvia Pimentel, Luci Belão e outras importantes estudiosas do tema.
 
Me sinto muito orgulhosa por fazer parte dessa categoria de profissionais que tem uma instituição como a OAB que não foge à sua função social e democrática quando se trata de debater temas relevantes à sociedade como um todo.
 
 
Post originalmente publicado em: http://www.selfdh.com

Protesto contra abuso sexual chama a atenção de usuários do Metrô

A estação da Sé abrigou, nessa terça-feira (02), um protesto em defesa das mulheres que são abusada sexualmente no transporte público. O ato aconteceu no final da tarde, com a participação de professores, estudantes, militantes da causa feminista, entre outras personalidades, e durou aproximadamente uma hora. O motivo foi o ocorrido da última quarta-feira (27), quando um homem ejaculou na calça da repórter Caroline Apple, em pleno vagão, e o Metrô declarou nada poder fazer.
 
por Jayane Condulo no Rotineiras
 
Foto: Fabiana Santos
Foto: Fabiana Santos

 
Apesar de pacífica, a manifestação enfrentou algumas barreiras. Em menos de meia hora, seguranças do Metrô foram tirar satisfações e tentar proibir qualquer tipo de protesto dentro da estação. Intimidações por parte do Metrô também já haviam sido previstas pela organizadora do evento, a jornalista Patricia Paixão, que soube argumentar de forma muito precisa e convincente com os seguranças que tentavam afastar os manifestantes.
 
Atraindo olhares curiosos de quem passava, os cartazes traziam frases como “Deixem meu corpo em paz” e “o metrô é público, meu corpo não”, reforçando a hashtag: #eunãomereçoserabusada. Como resposta, alguns aplaudiam, outros liam disfarçadamente, e muitos paravam para tirar foto com um dos cartazes e deixar seu apoio ao ato.
 
O protesto foi organizado e divulgado através do Facebook, unindo as mais diferentes pessoas lutando pelos mesmos direitos. É importante ressaltar que haviam homens apoiando a causa, com cartazes e forte defesa contra o abuso sexual feminino. Diziam estar ali por suas mães, irmãs, parentes e amigas, e se declaravam totalmente contra todo tipo de machismo no país.
 
 
Foto: Fabiana Santos
Foto: Fabiana Santos
 
 
Os participantes lutam por melhorias na segurança do metrô, punição para os agressores, e conscientização da população. Eles afirmam que casos como o da repórter Caroline Apple acontecem diariamente, mas o Metrô não divulga, nem toma as providências necessárias.
 
 
Confira abaixo, mais fotos do evento.
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Fotos: Fabiana Santos

 Fonte: http://www.geledes.org.br/protesto-contra-abuso-sexual-chama-a-atencao-de-usuarios-do-metro/#gs.553bb1465e184ff48dd4f600a3679ace

terça-feira, 2 de junho de 2015

Pastoral da Mulher participa da oficina “que abuso é esse?”

 
O Canal Futura em parceria com a Acari Ong, a Rede de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes em PE e o CEDECA realizou uma Oficina sobre Violência Sexual, na última quinta-feira (28/05), no Núcleo Temático da Univasf, em Petrolina.
 
Participaram da oficina: representantes de Ongs, Conselheiros Tutelares e de Direitos, Profissionais da Saúde, Educação e Assistência Social que integram o Sistema de Garantia de Direitos e a coordenação do Colegiado de Psicologia da Univasf e estudantes de Petrolina e Juazeiro.
 
A oficina tinha pretensão de discutir a importância do fortalecimento da rede de combate à exploração e ao abuso sexual infanto-juvenil. O Canal Futura tem se notabilizado produzindo séries que abordem a temática de uma maneira mais clara e lúdica para um debate geral das violências sexuais que sofrem as crianças.
 
A oficina contou com a presença do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente – CEDECA/PE, através de sua presidente Jaciara Arruda, e da Rede de Enfretamento às Violências contra a Criança, com o envio de Rosana França. Esta participação foi fortalecedora para o momento, pois abre uma possibilidade de diálogo das instituições de Petrolina e região com os fóruns estaduais deliberativos.
 
A intenção do Canal Futura a nível nacional e da Acari a nível local é que a temática seja discutida em todos os espaços possíveis e as ferramentas em vídeo propostas pelo Futura e seus parceiros é uma rica possibilidade de informação para todas as pessoas.
 
A Pastoral da Mulher se fez presente, através da coordenadora, Fernanda Lins.

Fonte: Pastoral da Mulher de Juazeiro

Este cartaz é HIV positivo: veja a reação das pessoas em vídeo

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Campanha de uma ONG contra discriminação de soropositivos faz vídeo com reação de pessoas a cartazes com gotas de sangue contaminado
 
Um cartaz entre tantos outros chama atenção de quem passa pelo Largo da Batata, em São Paulo. Branco, com os dizeres em vermelho, o cartaz anuncia: “Eu sou um cartaz HIV positivo” e, ao lado, uma pequena gota de sangue.
 
no Correio Braziliense
 
 

 
 
Trata-se de uma campanha da Organização Não-Governamental Grupo de Incentivo à Vida, que luta contra a discriminação com portadores de HIV. No final de abril, a ONG publicou nas redes sociais o vídeo com a reação das pessoas ao cartaz.
 
“Sou exatamente como qualquer outro cartaz, com um detalhe: eu sou HIV positivo. É isso mesmo que você leu. Sou portador do vírus. Nesse momento você pode estar dando um passo pra trás e se perguntando se eu ofereço perigo”, diz o texto do cartaz. Mas, na verdade, não há risco de contágio, explica o médico Artur Kalichman na gravação. O vírus não resiste ao entrar em contato com ar. O “medo” de chegar perto do cartaz seria o mesmo medo que algumas pessoas têm de soropositivos.
 
 
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O objetivo da campanha, segundo o diretor da organização, Cláudio Pereira, é mostrar que portadores do vírus não são um “bicho-papão”, e tentar trabalhar a discriminação — que, na sua opinião, ainda é recorrente. Pereira destaca que a tecnologia do tratamento avançou muito nos últimos anos, e que a possibilidade de contágio é “quase zero”, desde que haja tratamento adequado.
 
A filmagem mostra também a produção da campanha, em que nove voluntários doaram sangue HIV positivo para a produção de 300 cartazes.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia internacional da prostituta: de olho em Lyon, onde tudo começou


Trabalhadoras sexuais do mundo todo estão reunidas desde este domingo em Lyon, na França, nos Encontros Internacionais dos Trabalhadores do Sexo, organizados pelo sindicato francês Strass. São dois dias de reuniões, debates, palestras e workshops, seguidos de uma manifestação convocada para terça-feira, dia 2, diante da igreja de Saint Nizier.

 
Essa manifestação será muito importante. Desde 1975, 2 de junho é o Dia Internacional da Prostituta. A data comemora a ocupação da igreja de St. Nizier, no centro de Lyon, por cerca de cem trabalhadoras sexuais que protestavam contra a repressão policial. Aquele protesto histórico foi tema de documentário produzido por Eurydice Aroney e Julie Beressi.

Como disse neste sábado o jornal Le Progres: “Passaram-se 40 anos. Em 2 de junho de 1975, as prostitutas lionesas invadiram a igreja de St. Nizier, situada no coração da Presqu’île, entre a praça dos Terreaux e a dos Jacobinos, para protestar contra as prisões de que eram vítimas. Elas eram cerca de cem, e ocuparam a igreja por dez dias.”

Quem conta em detalhes os acontecimentos que levaram à ocupação da igreja é Maggie McNeill, no blog The Honest Courtesan:

“Em 1974, as putas francesas estavam fartas; a polícia, como sempre, não havia feito nada sobre o assassinato e a mutilação de duas prostitutas em Lyon, de modo que um grupo de putas e apoiadores (que incluíam advogados e jornalistas) convocaram uma reunião de protesto para exigir o fim das várias leis antiprostituição e da repressão policial que colocava suas vidas em perigo por obrigá-las a trabalhar em áreas escuras e de pouco tráfego. A polícia reagiu assediando os manifestantes com três ou quatro multas por dia, e as autoridades do fisco francês fizeram estimativas ridículas do número de clientes que cada trabahadora manifestante atendia, e lhes apresentou contas de impostos que excediam toda a renda delas. Quando elas apareceram na TV para dizer ao público o que estava acontecendo, foram condenadas à prisão à revelia, por causa das multas e dos impostos não pagos. Reconhecendo que era necessária uma ação dramática, na segunda-feira, 2 de junho de 1975, um grupo de mais de cem prostitutas ocupou a igreja de St. Nizier, em Lyon, com a cooperação do padre. Elas penduraram uma enorme faixa na frente da igreja, declarando “Nossas crianças não querem suas mães na prisão.”


A solidariedade das mulheres de Lyon
 
“Quando o governo reagiu com a ameaça de tomar suas crianças se elas não fossem embora imediatamente, houve uma indignação púbica; muitas mulheres de Lyon juntaram-se a elas, de modo que os policiais não tinham como dizer quais delas eram as prostitutas. Além disso, o ‘submundo’ de Paris enviou uma delegação para ajudá-las, grupos ocuparam igrejas em outras partes da França e uma ‘greve de prostitutas’ foi organizada em várias províncias.”
 
Quem nos fala agora é o NSWP (Rede Global de Projetos de Trabalho Sexual): “Em muitas outras cidades, as trabalhadoras sexuais imitaram o movimento e igrejas foram ocupadas em Paris, Marselha, Grenoble, Saint Etienne e Montpellier. O governo finalmente decidiu agir e as trabalhadoras sexuais foram brutalmente expulsas das igrejas pela polícia na manhã de 10 de junho. Ulla, a líder do movimento, teve seu nome verdadeiro revelado e fotos dela foram publicadas na imprensa. O ministro do Interior as acusou de serem manipuladas por cafetões, enquanto a ministra dos Direitos das Mulheres declarou que não tinha competência para tratar do assunto. O governo recusou qualquer forma de negociação e, em vez disso, encomendou um relatório que foi ignorado quando publicado, em dezembro de 1975.”
 
Os detalhes são de Maggie McNeill: “O protesto continou por uma semana e terminou de modo previsível: às 5h30 da terça-feira, dia 10 de junho, policiais enganaram o padre e o fizeram destrancar uma porta, que abriram à força, o que permitiu que dezenas de jagunços com equipamento militar invadissem o prédio. Todas as putas ocupantes foram espancadas e presas, e ações similares foram executadas naquele dia e nos dias seguintes em todos os locais de protesto; na sexta-feira 13, tudo estava terminado.”
 
“Mas se as ‘autoridades’ imaginavam que a repressão brutal a um protesto pacífico ensinaria a lição que elas pretendiam, estavam tristemente enganadas; as putas começaram a manter reuniões regulares e logo formaram o Coletivo Francês de Prostitutas, no qual o Coletivo Inglês de Prostitutas se baseou mais tarde. Mulheres em vários países também se inspiraram e formaram grupos, e algumas delas se juntaram ao grupo Coyote, de Margo St. James, para formar o Comitê Internacional Pelos Direitos das Prostitutas (ICPR), a organização cujo trabalho e exemplo ajudaram a obter reformas das leis de prostituição em vários países europeus e deu um exemplo que inspirou campanhas semelhantes em muitos outros países.”

Gênese da mobilização
 
A socióloga Lilian Mathieu, da Sorbonne (Universidade de Paris-1), examinou em detalhes os acontecimentos que levaram ao movimento de 1975. Como tudo mais nesta história, há lições aí que podem ser aproveitadas:
 
“Embora tenha sido de longe a mais espetacular e famosa, a ocupação de St.Nizier pelas prostitutas de Lyon não foi a primeira ação coletiva delas. Três anos antes, elas haviam estado envolvidas em uma manifestação abortada, cuja memória desagradável pesaria bastante em suas opções táticas quando elas decidiram agir novamente, em junho de 1975. Essa primeira tentativa de mobilização merece menção, primeiro porque representa uma fase significativa no desenvolvimento da dinâmica de protestos que acabaria resultando na ocupação da igreja; segundo, porque dá o tipo de demonstração ativa da dominação política à qual as prostitutas são submetidas e ao julgamento comum de que elas são politicamente ilegítimas.”



“Em agosto de 1972, o mercado de prostituição de Lyon foi abalado por um escândalo envolvendo vários políticos e policiais locais. Depois de uma série de denúncias anônimas, as atividades ilícitas de vários policiais da ‘brigada do vício’ foram publicamente reveladas e os acusados, rapidamente acusados e presos. Os oficiais – membros do serviço público francês, devemos lembrar – foram acusados de receber ‘envelopes’ dos gerentes dos hotéis usados por prostitutas em troca de ‘proteção’ policial, e até mesmo, em alguns casos, de comprar tais estabelecimentos com a ajuda de corretores de imóveis cúmplices; revelou-se que outros policiais eram cafetões, que coletavam o faturamento de prostitutas que trabalhavam diretamente para eles. O caso também tocou vários políticos locais ligados ao partido UDR que eram suspeitos de ligações com o crime organizado local (o ‘milieu’) e de dar proteção aos operadores das ‘maisons closes’ (bordéis) de Lyon. O representante parlamentar do quarto distrito da cidade foi colocado em uma situação particularmente delicada, com a descoberta de suas conexões especiais com o mantenedor de uma casa para encontros clandestinos conhecida por ter uma clientela de elite.”
 
 “Para as cerca de 400 prostitutas que atuavam na cidade naquela época, a limpeza das relações entre polícia e o ‘milieu’ significava o fechamento dos hotéis em que elas trabalhavam. Embora esses estabelecimentos fossem proibidos por lei, havia um bom número deles na ‘área da luz vermelha’ do centro de Lyon no começo dos anos 1970, e eles eram relativamente prósperos. Frequentemente eles eram administrados por ex-prostitutas que recebiam uma parte da renda das mulheres que usavam o hotel. Para as últimas, o arranjo dos hotéis havia funcionado bem: elas tinham uma autonomia relativa dentro do estabelecimento usado; eram livres para escolher suas horas e ritmo de trabalho; o pagamento pelo quarto era claramente separado do pagamento pelo trabalho (ao contrário da situação nas ‘maisons closes’, onde o cliente pagava ao operador uma taxa geral, do qual a prostituta recebia apenas uma porcentagem); e o mais importante, as condições de higiene e segurança eram consideradas satisfatórias.”
 
“Portanto, o fechamento dos hotéis prejudicou seriamente a prática das prostitutas e representou uma ameaça à sua segurança; foi o descontentamento com essa situação que levou à sua primeira tentativa de ação coletiva. Na noite de 24 de agosto de 1972, aproximadamente 40 mulheres fizeram uma reunião informal na Place des Jacobins, perto da principal ‘área da luz vermelha’ do centro. Apesar de sua dispersão rápida pela polícia, elas conseguiram convocar um protesto – na forma de uma manifestação – para o dia seguinte. Foi um fracasso funesto. Ao meio-dia de 25 de agosto, na mesma Place des Jacobins, apenas cerca de 30 prostitutas apareceram; sem dúvida as outras haviam sido dissuadidas pelo fato de que uma manifestação como essa exigiria a afirmação pública de seu status fora das ruas estreitas onde elas geralmente trabalhavam. Mas o que foi mais eficaz para prejudicar o movimento foi a falta de reconhecimento do direito das prostitutas de usarem esse método de ação para expressar seu descontentamento. As mulheres planejavam marchar até a Prefeitura para apresentar suas reivindicações. Sua passeata, anunciada pela imprensa local em tons jocosos, em sua maioria, atraiu uma multidão de curiosos, reunidos como que para ver um show. A inexperiência e a clara falta de habilidade das prostitutas para praticar essa forma de ação deram à polícia tudo o que ela precisava para torná-las objeto de ridículo: os oficiais que haviam se apresentado como voluntários para liderar uma delegação das manifestantes até uma reunião com o prefeito na verdade as levaram para a delegacia central de polícia, onde elas foram mantidas sob custódia por várias horas. A cobertura da imprensa local também expressou um senso geral de ilegitimidade das prostitutas, estigmatizando as manifestantes pelo fato de elas terem sido politicamente ingênuas e ironizando sobre a pretensão vã e ridícula de quererem ser ouvidas ‘como todo mundo’. O artigo publicado no dia seguinte pelo principal jornal local destacava a ‘novidade total’ do ‘espetáculo’ que a multidão de moradores de Lyon havia testemunhado e ‘não queria perder’. Ele também falou na futilidade da tentativa das prostitutas de comunicar-se com a população em geral: é claro que foi ‘audacioso’ da parte ‘dessas senhoras’ tentar explicar ‘suas pequenas misérias’. Enquanto isso, a caricatura do cafetão também foi mobilizada, como se para fazer a imagem se adequar melhor aos estereótipos, e ao mesmo tempo permitir que a imprensa introduzisse a suspeita de que as reivindicações das prostitutas não fossem bem fundadas, já que as mulheres estavam, provavelmente, sendo ‘manipuladas’.”
 
Cenas familiares para as trabalhadoras sexuais de todo o mundo, envolvendo policiais corruptos, políticos, jornalistas e uma comunidade “educada” durante séculos para perpetuar o preconceito e o estigma contra trabalhadores sexuais. O belo estudo de Lilian Mathieu está publicado na Revista Francesa de Sociologia, tanto em francês como em inglês.


Em 2015, pouca coisa mudou



Neste sábado, o jornal Lyon Capitale publicou reportagem sobre os eventos e o protesto organizados pelo Strass: “Quarenta anos mais tarde, as prostitutas Lyon exigem um fim à repressão do trabalho sexual. ‘Revogação do delito de solicitação e retirada do projeto de lei de penalização clientes.’ ‘Criminalizar os clientes penaliza as trabalhadoras diretamente, porque menos clientes significa menos receita.’ De acordo com o Strass, essa lei incentiva as prostitutas a trabalharem em locais menos iluminados, menos visíveis e, portanto, torna-as mais vulneráveis. Elas também pedem ‘a regularização de prostitutas em situação irregular e melhoria da ajuda social’ e ‘a revogação das leis sobre contratos’, que podem criminalizar as prostitutas: ‘Se duas trabalhadores sexuais alugam um quarto para compartilhar seu trabalho, elas são consideradas cafetinas uma da outra.'”
 
Em separado, vamos publicar em português o manifesto do sindicato Strass (“Saint Nizier 1975-2015: 40 Anos de Lutas”) e o programa do encontro. Para dar mais água na boca: a entidade de saúde comunitária Cabiria, de Lyon, organizou uma exposição sobre os acontecimentos de 1975. As fotos em preto-e-branco, feitas durante a ocupação de St. Nizier, são da cineasta feminista Carole Roussopoulos (1945-2009), fundadora do Centro Audiovisual Simone de Beauvoir.
 
Mundo Invisível pretendia enviar representantes ao encontro de Lyon, para que pudéssemos aprender alguma coisa com as companheiras do movimento internacional, mas não deu. Ainda estamos engatinhando… Mas chegaremos lá.

Fonte: http://www.mundoinvisivel.org/