Violência obstétrica e 'epidemia' de cesáreas serão discutidas na Câmara; ONG quer rigor da lei

Terça, 29 de Abril de 2014 - 08:40

   

Violência obstétrica e 'epidemia' de cesáreas serão discutidas na Câmara; ONG quer rigor da lei
Caso de Adelir Goes motivou protestos sobre número elevado de cesarianas
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados vai debater no próximo dia 7 de maio a violência obstétrica no Brasil. A audiência vem no bojo do caso da gaúcha Adelir Lemos de Goes, que foi obrigada pela Justiça a fazer uma cesariana contra a sua vontade. O fato gerou uma onda de protestos em várias cidades do país e do exterior, como Londres e Madri. O debate foi proposta pela ONG Artemis, que luta pelo direito das mulheres, e encaminhado pelo deputado Jean Wyllys (Psol). Segundo a presidente da entidade, Raquel Marques, a Artemis cobra a aplicação de leis que já existem para o atendimento ao parto e que, segundo a entidade, são descumpridas, como a lei do acompanhante, de 2005. Para ela, o caso Adelir pode desencadear outros semelhantes. "Não temos notícias de outra mulher que tenha realizado uma cesariana por decisão judicial no país. Nosso receio é que o caso Adelir abra precedentes para decisões semelhantes, que consideram a mulher uma pessoa com menos direitos", disse a O Globo. O requerimento da audiência aponta também para o problema de uma "epidemia" de cesáreas no Brasil. Raquel chama à atenção para os riscos do procedimento através de nota publicada no site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): “Os partos por cesariana podem influenciar a taxa de mortalidade entre mães e bebês. A cesárea é uma cirurgia, com todos os riscos de uma intervenção desse tipo e representa uma chance seis vezes maior de a mulher morrer do que em parto normal. A cesariana também aumenta a possibilidade de a parturiente contrair uma infecção ou sofrer uma hemorragia. Para os bebês, os riscos de eles terem que ir para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) quadruplica...” Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2010, apontam o Brasil e a China como os maiores responsáveis por metade das cesáreas realizadas no mundo. No país, 53% dos partos na saúde pública foram cirúrgicos, índice bem acima do limite máximo recomendado pela OMS, que é de 15%.

Dores crônicas afetam a vidas das pessoas e se transformam em doenças



Natasha Pitts
Adital
Sentir dor não é normal, mesmo assim milhares de pessoas convivem por anos com dores crônicas, utilizando-se, muitas vezes, da automedicação para aliviar o sofrimento. Assim, problemas como enxaqueca e dores nas costas e articulações, que podem ser tratados com acompanhamento médico, exercícios físicos e medicação correta, acabam prejudicando a qualidade de vida de quem as sente.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 30% da população mundial sofram com dores crônicas, que são aquelas que persistem por mais de três meses. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), cerca de 60 milhões de pessoas convivem com esse problema. Do total, 50% têm a vida e as atividades cotidianas afetadas.
Outro tipo de dor é a aguda, que pode ser interpretada como um sinal de alerta para mostrar que o corpo não está bem. Mas é a dor crônica que inspira mais atenção e cuidados, pois acaba com a qualidade de vida e dificulta a movimentação, a agilidade e a prática de atividades corriqueiras, situações que, muitas vezes, acabam afastando as pessoas da vida social e profissional.
"A dor para a vida das pessoas e as afeta de todas as formas. Quando se torna crônica, a dor se transforma em uma doença, a dor total, que é caracterizada por lesão orgânica e perda funcional e acaba por tirar a pessoa do ambiente familiar e de trabalho. Esse tipo de dor também acaba causando distúrbios psiquiátricos, pois a pessoa se sente obrigada a conviver com o problema e a se afastar da vida social”, explica a médica anestesiologista Liane Brito, especialista em dor e presidente da Sociedade Cearense para o Estudo da Dor (Seced).
Para alertar e conscientizar a população a SBED desenvolveu a campanha "A dor para a vida das pessoas – Pare a Dor”. Uma das iniciativas da campanha é a caminhada "Pare a Dor”, desenvolvida desde 2009 em várias cidades do Brasil. O evento é gratuito e periódico e busca estimular a prática de atividades físicas como forma de melhorar a postura, a respiração, a força e a flexibilidade, trazendo como benefício a redução da dor. A iniciativa é também uma maneira de conscientizar a população para a importância de se buscar, o quanto antes, ajuda profissional.
"As pessoas demoram a procurar um especialista pela facilidade de acesso aos analgésicos e por desinformação. Muitos não sabem que existem especialistas e uma equipe para tratar o problema, e que existem tratamentos não medicamentosos, então começam a tratar momentaneamente e quando não veem resultado pensam que não há mais o que fazer”, esclarece.
A médica também faz um alerta sobre a automedicação, ressaltando que a ingestão indiscriminada de analgésicos, além de provocar intolerância aos medicamentos, pode dificultar a resposta a outros fármacos. "Há também os riscos intrínsecos aos medicamentos e o risco de lesões no fígado”, lembra.
Em várias cidades, a caminhada "Pare a Dor” acontece mensalmente. Em Fortaleza, Estado do Ceará, a próxima está marcada para este domingo, 27 de abril, a partir das 7hg30. O ponto de partida será a Praça dos Estressados, no calçadão da Avenida Beira Mar. Quem quiser participar basta comparecer ao local, preencher uma ficha e pegar a camisa da campanha, que deve ser usada durante o percurso.
A caminhada será acompanhada por uma equipe de saúde formada por educadores físicos, enfermeiros, médicos e fisioterapeutas, que, posteriormente, atenderão gratuitamente aos participantes orientando sobre os tratamentos adequados.

Celebração da Páscoa em Juazeiro promove o sentido do servir



Com o tema "O Sentido de Servir", a Pastoral da Mulher de Juazeiro realizou no último dia 16 de abril, a Celebração da Páscoa. O evento que aconteceu na sede da Pastoral foi conduzido pelas educadoras sociais, Ana Paula e Joice Oliveira.
O momento foi de reflexão desde a acolhida das mulheres, onde as mesmas receberam vários símbolos que representam o momento da “Semana Santa”, que inicia com a entrada de Jesus em Jerusalém como rei, perpassando pelo Calvário até a sua ressurreição.
Refletindo os símbolos, algumas mulheres comentaram: “a coroa - me sinto especial”, “a água perfumada - tenho a necessidade de ser cuidada como o corpo de Cristo, quando as mulheres foram cuidar d’Ele”.
Na celebração, aconteceu o lava-pés, representando a hospitalidade e a humildade, exemplo deixado por Cristo para a humanidade. Toda a tarde foi embalada por cânticos e louvores, levando as mulheres e equipe demonstrarem suas emoções a partir das histórias de vida e reflexões trazidas pelas mesmas, cheias de dores, marcas e esperanças.
Na partilha foi reforçada a necessidade do perdão, o amor ao próximo, à solidariedade, disposição de servir ao outro, de valorizar a vida.
Além deste momento, foi realizada uma animação com as crianças e o grupo Mariart`s apresentou encenação com a música “Vitória na Cruz”.
Por fim aconteceu a ceia, onde cada mulher escolheu uma pessoa para servir a refeição, praticando o “sentido de servir”.
Para Joice Oliveira, “As mulheres não tinham o costume de servir umas as outras, sempre a equipe que servia. E praticando o gesto de servir, percebemos a aproximação de mulheres que não se falavam, e que, através deste gesto, conseguiram diminuir as distancias


Audiência pública no Senado debate pesquisa sobre estupro no Brasil

O levantamento aponta, com base em dados da saúde, a ocorrência de 527 mil estupros em 2012 e que apenas 10% desses casos chegaram à polícia para identificação e punição dos agressores


A pesquisa sobre estupro no Brasil, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi debatida nesta terça-feira (15/04) em audiência pública no Senado Federal. O levantamento aponta, com base em dados da saúde, a ocorrência de 527 mil estupros em 2012 e que apenas 10% desses casos chegaram à polícia para identificação e punição dos agressores.

Além da pesquisa Estupro no Brasil, uma radiografia segundo dados da Saúde, o Ipea divulgou a Tolerância social à violência contra as mulheres que, entre outras respostas polêmicas, apontou que 58% dos entrevistados concordaram que se a mulher soubesse se comportar haveria menos estupro.

Os resultados mobilizaram a sociedade, que passou a discutir o tema nas redes sociais e nos espaços públicos. “As pesquisas mostram a enorme tolerância da sociedade com a violência de gênero e o estupro”, afirmou o diretor de Estudos e Políticas do Estado, Instituições e da Democracia do Ipea, Daniel Cerqueira.

A secretária-adjunta de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Rosangela Rigo, declarou que a sociedade brasileira é marcada pelo machismo, racismo e patriarcado. “Temos que desnaturalizar essas questões e construir uma sociedade de igualdade”.

Rosangela Rigo lembrou que as iniciativas de políticas públicas que buscam abordar temas de gêneros são recentes: “A Secretaria de Políticas paras as Mulheres foi criada em 2003. Existem, ainda, a Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher, a Lei Maria da Penha de 2006 e o programa Mulher, Viver sem Violência, lançado pela SPM em 2013”.

Autora do requerimento para a realização da audiência pública, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) disse ser preciso atacar o problema com maior profundidade, implementando ações e envolvendo a sociedade. Também autora do requerimento, a senadora Ana Rita (PT/ES) ressaltou que 15% dos estupros são coletivos e 50% são recorrentes.

Idealizadora do movimento ‘Não Mereço Ser Estuprada’, nas redes sociais, a jornalista Nana Queiroz revelou ter recebido três mil mensagens sobre o tema. Várias delas relatam casos de estupros quando ainda eram crianças e que essas pessoas só foram descobrir que se tratava de abusos quando tinham mais de 20 anos. Ela criou um grupo que aborda o tema e apresentou propostas como a preparação de professores para discutir o assunto na escola desde o ensino infantil.

Ao final da audiência, a senadora Ana Rita informou que os debates sobre o tema vão continuar e que as propostas apresentadas serão avaliadas, discutidas com o Executivo e poderão se transformar em projeto de lei para votação pelo Congresso Nacional.


Comunicação Social
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Presidência da República – PR
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ONU lança campanha contra o tráfico de pessoas na BA